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Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Stefan Zweig: 75 anos de sua morte - Casa Stefan Zweig de Petropolis tem eventos


Stefan Zweig foi considerado o best-seller de sua geração na Europa, embora para muitos, especialmente no Brasil, ficou conhecido apenas após sua trágica morte em Petrópolis. E é na Cidade Imperial onde hoje funciona um memorial da vida e obra do escritor austríaco, a Casa Stefan Zweig. Mais do que o trabalho de Zweig, o museu é dedicado aos refugiados da Europa nazista durante os anos 1930 e 1940 e é um dos atrativos que integram o Passaporte Cultural de Petrópolis. Neste ano, o espaço terá um calendário especial de eventos no primeiro semestre para marcar os 75 anos de morte de Stefan Zweig, completados nesta quinta-feira (23.02).

Um patrimônio de Petrópolis e do mundo, o museu está localizado na casa onde o escritor e a esposa Lotte se exilaram por cinco meses até que não suportaram a depressão, solidão, as notícias da guerra que se intensificavam e puseram fim às suas vidas. Zweig e Lotte ingeriram veneno e morreram em sua última morada em Petrópolis, no número 34 da Rua Gonçalves Dias.

Mais do que a triste lembrança de sua morte, Zweig deixou um legado com seus pensamentos e textos, muito à frente do seu tempo, chegando a ser o autor mais traduzido do mundo, best-seller em mais de 50 países. Suas biografias como Maria Antonieta, Fouché, Erasmo de Roterdã e Magalhães são reeditadas até hoje. Parte de sua obra, inclusive, teve o país que escolheu como sua pátria, ainda que temporariamente, como inspiração, como o livro “Brasil um país do futuro”. Nele, Zweig narra e exalta as qualidades da terra tupiniquim, mais ainda da pluralidade e hospitalidade do povo que o acolheu.

E é essa humanidade característica do povo brasileiro que encantou o escritor, conhecido por seu estilo pacificador, que ambienta a Casa Stefan Zweig. O museu, inaugurado em 2012, foi criado para lembrar de Zweig e de todos os outros exilados que compartilharam com ele o destino do exílio. O espaço, que recebe visitantes do Brasil e do mundo inteiro, também já se tornou uma referência para pesquisadores. O local, no entanto, não transmite a tristeza que levou o casal a tirar sua vida, mas a herança que Zweig deixou, entre ela pensamentos que traduzem com perfeição os dias de hoje.



“Não é uma casa de tristeza, lembrando morte. Queremos lembrar a vida e o legado que ele deixou. É um museu informativo, no qual queremos passar o trabalho incrível que ele fez. O visitante chega e tem a oportunidade de conhecer quem foi Stefan Zweig”, contou a coordenadora da CSZ, Dora Martini.



Casa Stefan Zweig tem programação especial



Um centro cultural ativo, com exposições, recitais, palestras, campeonatos de xadrez e oficinas para professores, a Casa Stefan Zweig está integrada ao roteiro cultural de Petrópolis, sendo um dos atrativos do Passaporte Cultural com programação variada. Neste ano especial, para homenagear os 75 anos de morte de Stefan Zweig - cuja obra teve um "revival" no mundo inteiro através da reedição de livros, de novos filmes e de artigos na imprensa dos principais países – o museu preparou um extenso calendário de eventos culturais ao longo do primeiro semestre com atividades na CSZ e em outros espaços.

Já está em cartaz a exposição “Stefan Zweig, escritor de cartas”, que pode ser visitada de sexta a domingo, de 11 às 17h, mesmo horário de funcionamento da CSZ, que tem entrada gratuita. Em março, será ministrado minicurso sobre o escritor austríaco, em parceria com a UCP, no Museu Imperial e acontece a pré-estreia no Brasil do filme “Depois da Aurora” (Vor der Morgenröte), de Maria Schrader. A data ainda não foi divulgada.

Em parceria com a editora Memória Brasil, a CSZ lança o livro “Unidade espiritual do mundo”, conferência proferida por Zweig por ocasião de sua primeira viagem ao Rio de Janeiro, em 1936.  O livro será lançado durante o simpósio “Stefan Zweig e o Brasil”, que acontecerá no Itamaraty, em Brasília, no dia 21 de março, e, depois, em São Paulo, Petrópolis, Rio de Janeiro, Florianópolis e Curitiba.

Em maio, no dia 2, começa na Casa da Europa (antiga Maison de France), no Rio de Janeiro, a exposição “Três humanistas: Stefan Zweig, Romain Rolland e Joseph Roth”. No dia 9, no Dia da Europa, haverá um simpósio sobre os três escritores e um coquetel com lançamento do livro “Unidade Espiritual do Mundo”.

Também será lançado, pela Zahar, o volume “A curar pelo espírito”, com posfácio de Alberto Dines e tradução de Kristina Michahelles, com perfis de Sigmund Freud, Franz Mesmer e Mary Baker-Eddy, assim como a correspondência inédita entre Zweig e Freud.



Programação permanente



Além da programação especial, o visitante pode conferir as atividades que são oferecidas permanentemente no espaço. No museu, que é multimídia, logo que chega o visitante pode assistir a um breve filme intitulado "A última morada de Stefan Zweig". O vídeo ambientaliza o visitante e o ajuda a entender o processo de depressão do autor. Talvez o maior estudioso, pesquisador e divulgador no Brasil da vida e obra de Stefan Zweig, além de presidente-diretor da CSZ e o grande idealizador do projeto, o jornalista Alberto Dines narra um vídeo no qual conta a história da famosa casa no Valparaíso. Além desse, narra outro filme exibido nas sessões multimídias, uma conversa com o também jornalista Flávio Tavares sobre a novela “Xadrez”, escrita por Zweig na casa.

Todos os meses, sempre no último sábado, acontece exibição de filmes sobre o exílio. No dia 25 de março serão perfis dos críticos e tradutores Otto Maria Carpeaux, Herbert Caro e Paulo Rónai. No dia 29 de abril perfis dos fotógrafos Kurt Klagsbrunn, Jean Manzon e Hans-GünherFlieg. Já em maio, no dia 27, tem perfis dos dramaturgos Gianfrancesco Guarnieri, Zbigniew Ziembinski e ZygmuntTurkow. E no dia 24 de junho, os livreiros Eva Herz, Walter Geyerhahn e Erich Eichner e Susanne Bach.

Stefan Zweig: o escritor que sonhava de um mundo sem fronteiras - BBC

Vou fazer, como Diretor do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais, IPRI-Funag-MRE, um encontro, "Stefan Zweig e o Brasil", com a apresentação de seus livros, ideias, inspirações e sentimentos, com a participação do ex-chanceler Celso Lafer, que introduziu um dos livros publicados, "A Unidade Espiritual do Mundo" (uma conferência que Zweig fez no Rio de Janeiro, em 1936, quando de sua primeira passagem pelo Brasil), de Israel Beloch, o organizador da obra, e de Kristina Michahelles, tradutora de Zweig e diretora da Casa Stefan Zweig de Petrópolis. Será feito no Instituto Rio Branco, em Brasília, no dia 21 de março, às 15hs, com o patrocínio da Embaixada da Áustria. Sejam todos bem-vindos...
Eu me permitiria agregar, em relação à matéria abaixo, que a melhor biografia de Stefan Zweig, NO PLANO UNIVERSAL, é, sem dúvida alguma, a de Alberto Dines: Morte no Paraíso. Busquem nos sebos...
Paulo Roberto de Almeida

http://www.bbc.com/culture/story/20170221-zweig-the-writer-who-dreamed-of-a-world-without-borders?ocid=ww.social.link.email

 Zweig: the writer who dreamed of a world without borders
The exiled author killed himself in despair over Nazism. But before he did, he said Brazil had become what he hoped Europe could be, writes Benjamin Ramm.

Seventy-five years ago, in February 1942, Europe’s most popular author committed suicide in a bungalow in the Brazilian town of Petrópolis, 10,000 km (6,200 miles) from his birthplace in Vienna. In the year before his death, Stefan Zweig completed two contrasting studies – The World of Yesterday: Memoirs of a European, an elegy for a civilisation now consumed by war, and Brazil: Land of the Future, an optimistic portrait of a new world. The story of these two books, and of the refugee who wrote them, offers a guide to the trap of nationalism and the trauma of exile.
Austria-Hungry provided Zweig with a template of cultural plurality in the face of nationalism
Zweig was born in 1881 into a prosperous and cultured Jewish family in Vienna, capital of the multi-ethnic Habsburg empire, where Austrians, Hungarians, Slavs and Jews, among many others, co-existed. Their ruler was the polyglot Franz-Joseph I, who decreed at the start of his reign in 1867 that “All races of the empire have equal rights, and every race has an inviolable right to the preservation and use of its own nationality and language”.
Franz-Joseph was a stiff-necked autocrat, and his reign should not be romanticised, but it provided Zweig with a template of cultural plurality at a time when Europe was consuming itself in nationalism. His biographer George Prochnik notes that Zweig called for the foundation of an international university, with branches in every major European capital and a rotating exchange programme that would expose young people to other ethnicities and religions.
(Credit: Alamy)
Before settling in Brazil, Zweig lived for a while in Ossining, New York – where he was photographed in 1941 (Credit: Alamy)
Zweig began to write The World of Yesterday after leaving Austria in 1934, anticipating the Nazification of his homeland. He completed the first draft in New York in summer 1941, and posted the final version, typed by his second wife Lotte Altmann, to his publisher the day before their joint suicide. By then, the Habsburg empire had “vanished without trace”, he writes, and Vienna was “demoted to the status of a German provincial town”. Zweig became stateless: “So I belong nowhere now, I am a stranger or at the most a guest everywhere”.
(Credit: Emma Bridget Byrne)
Zweig settled in Petrópolis, just north of Rio de Janeiro – the town was named after Pedro II, the last emperor of Brazil (Credit: Emma Bridget Byrne)
Zweig’s memoir is illuminating in its portrait of the disorienting nature of exile. In the cities in which Zweig had been celebrated, his books were now burnt; the golden era of “security and prosperity and comfort” had given way to revolution, economic instability and nationalism, “the ultimate pestilence that has poisoned the flower of our European culture”. Time itself was ruptured: “all the bridges are broken between today, yesterday and the day before yesterday”.
Without a trace
One of Zweig’s greatest anxieties was the loss of his linguistic home. He expressed “a secret and tormenting shame” that Nazi ideology was “conceived and drafted in the German language”. Like the poet Paul Celan, who committed suicide in Paris, Zweig felt that the language of Schiller, Goethe and Rilke had been occupied by Nazism, and irredeemably deformed. After moving to England, he felt “imprisoned in a language, which I cannot use”.
Zweig writes of a time you could visit India and the US without a passport or visa
In The World of Yesterday, Zweig describes the ease of borderless travel prior to 1914 – of visiting India and the US without the need for a passport or visa – a situation inconceivable to the interwar generation. Now he, like all refugees, faced the humiliation of negotiating an unwieldy bureaucracy. Zweig described his intense “Bureauphobia” as immigration officials demanded ever more proof of identity, and he joked to a fellow refugee that his job description was “Formerly writer, now expert in visas”.
(Credit: Alamy)
Zweig was among Europe’s most popular writers during the 1920s and ‘30s and film-makers adapted his works – his novel Fear became Roberto Rossellini’s La Paura (Credit: Alamy)
As Hitler’s forces spread across Europe, Zweig moved from his lodging in Bath in the UK to Ossining, New York. There he was almost unknown to all but his fellow refugees, who lacked his connections and material comforts, and frequently appealed to his legendary generosity. Zweig never felt at home in the US – he regarded Americanisation as the second destruction of European culture, after World War One – and hoped to return to Brazil, which enchanted him during a lecture tour in 1936.
(Credit: Alamy)
Perhaps Zweig’s best-known novel was Letter from an Unknown Woman, which became a film by Max Ophüls in 1948, starring Joan Fontaine and Louis Jourdan (Credit: Alamy)
Brazil: Land of the Future is a lyrical celebration of a nation whose beauty and generosity profoundly impressed Zweig. He was surprised and humbled by the country, and admonished himself for his ignorance and “European arrogance”. Zweig outlines Brazil’s history, economy, culture and geography, but the real insight of the book comes from the perspective he gains about his own continent.
There is no colour-bar, no segregation, no arrogant classification – Zweig
Brazil becomes, in Zweig’s description, everything he would like Europe to be: sensual, intellectual, tranquil and averse to militarism and materialism. (He even claims that Brazilians lack the European passion for sport – a bizarre assertion, even in 1941). Brazil is free of Europe’s “race fanatics”, its “frenzied scenes and mad ecstasies of hero-worship”, its “foolish nationalism and imperialism”, its “suicidal fury”.
(Credit: Fox Searchlight)
Wes Anderson paid tribute to Zweig in the end credits of The Grand Budapest Hotel, a film which Anderson says the writer inspired (Credit: Fox Searchlight)
In its cadences and colours, Brazil was radically different from Zweig’s repressed image of Habsburg Vienna, but the beauty of its hybrid identity seemed to vindicate his outlook. In Brazil, the descendants of African, Portuguese, German, Italian, Syrian and Japanese immigrants mixed freely: “all these different races live in fullest harmony with each other”. Brazil teaches ‘civilised’ Europe how to be civilised: “Whereas our old world is more than ever ruled by the insane attempt to breed people racially pure, like race-horses and dogs, the Brazilian nation for centuries has been built upon the principle of a free and unsuppressed miscegenation... It is moving to see children of all colours – chocolate, milk, and coffee – come out of their schools arm-in-arm… There is no colour-bar, no segregation, no arrogant classification... for who here would boast of absolute racial purity?”
‘Paradise’
This paean proved hugely popular with the public, and thousands of Brazilians attended Zweig’s lectures, while his daily itinerary was printed in every major newspaper. But the book was lambasted by critics: Prochnik notes that, for three days in a row, Brazil’s leading newspaper published withering reviews, accusing Zweig of ignoring the country’s industrial and modernist innovations.
(Credit: Wikipedia/Eduardo P)
Zweig’s writing in praise of Brazil made him popular there – several locations are even named after him (Credit: Wikipedia/Eduardo P)
More controversial was Zweig’s fulsome praise for Brazil’s dictator, Getúlio Vargas. In 1937, Vargas had declared the Estado Novo (New State), inspired by authoritarian rule in Portugal and Italy. Vargas shut down Brazil’s congress and imprisoned left-wing intellectuals, some of whom assumed that Zweig had been paid for his praise, or at least offered a visa. Vargas’ government had curtailed Jewish immigration on racial grounds – but made an exception for Zweig, due to his fame.
This troubling episode reveals Zweig’s political naivety. A pacifist and conciliator by nature, Zweig feared inciting hostility at a crucial moment (Vargas finally sided with the Allies in January 1942). Seeking seclusion, Stefan and Lotte ensconced themselves in the elegant former German settlement of Petrópolis, 40 miles (64 km) outside Rio.
Zweig believed in a world beyond borders, but he became defined by them
“It is Paradise”, wrote Zweig of the lush Alpine landscape, which “seems to be translated from the Austrian into a tropical language”. Zweig sought to forget his old books and friendships, and seek “inner freedom”. But at Carnival in Rio, he learned of Nazi advances in the Middle East and Asia, and a sense of doom descended. Zweig felt he could never be free, or free from fear. “Do you honestly believe that the Nazis will not come here?” he wrote. “Nothing can stop them now.”
Zweig believed in a world beyond borders, but he became defined by them: “My inner crisis consists in that I am not able to identify myself with the me of my passport, the self of exile”. This haunted Zweig (“We are just ghosts – or memories”), and he wrote in his suicide note of being “exhausted by long years of homeless wandering”. Stefan and Lotte shared this resignation: “We have no present and no future… We decided, bound in love, not to leave each other”.
In Petrópolis, I visited Zweig’s bungalow, which now serves as an “active museum”, according to Tristan Strobl, who works there on national service as an Austrian Holocaust Memorial Servant. He showed me an interactive display of all the refugees that came to Brazil between 1933 and 1945, highlighting their contributions. “This period was such a loss for the intellectual life of Europe”, says Tristan, “but for Brazil and the other countries that received these exiles, it was hugely positive”. The darkest decade of the old world brought light to the new.

A Integracao Brasil-Argentina: livro de Alessandro Candeas (livremente disponivel)

FUNAG lança segunda edição da obra
A Integração Brasil-Argentina - História de uma ideia na “visão do outro”


A Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG) publicou a segunda edição revista da obra A Integração Brasil-Argentina – História de uma ideia na “visão do outro”, do diplomata Alessandro Candeas.

O livro apresenta um panorama das relações bilaterais e da aliança estratégica Brasil-Argentina, a fim de ampliar o conhecimento na área da política externa. O objeto da obra é apontar, nos planos das ideias e da história, a transição do relacionamento bilateral de um padrão de rivalidade para o de cooperação e, gradualmente, integração. A primeira edição foi publicada em 2010.

O livro está disponível para download gratuito na biblioteca digital da FUNAG.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Era dos Gigantes, documentario de Mauricio Costa, um filme sobre o lulopetismo diplomatico

Ao dizer que o excelente documentário do Mauricio Costa é sobre o assim chamado (por mim mesmo) de lulopetismo diplomático, não quero com isso dizer que ele tenha estado, ou esteja, a serviço dessa deformação fundamental de nossa política externa dos anos 2003-2016. O filme é honesto, objetivo, apenas que os lulopetistas diplomáticos se expressaram mais do que os antipetistas na política externa nesse documentário, mas isso não é culpa do autor, que buscou todas as vozes, e só encontrou, basicamente, uma contra: a do embaixador Rubens Barbosa, e uma meia voz crítica, a do embaixador, ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia, já falecido.
Adoradores do chefe da quadrilha podem me chamar de sectário, mas eu tenho minhas razões para condenar in totum, os treze anos de política externa deformada, e não são razões pessoais, como muitos querem acreditar, e sim fatores objetivos, pois acho que essa política externa foi ruim para o país, e o que não foi ruim deveu-se ao Itamaraty, e não aos companheiros (inclusive certos aliados petistas-diplomatas). Essas razões estão expostas em dezenas de artigos e palestras, e pelo menos um livro, que vou expor novamente aqui.
Por enquanto, posto novamente as minhas notas feitas na ocasião da sua divulgação pública, no Uniceub, e não no Itamaraty, como poderia ter sido o caso.
Paulo Roberto de Almeida


Era dos Gigantes: um documentário sobre a diplomacia lulopetista

Paulo Roberto de Almeida
 [Comentários sobre o filme de Mauricio Costa, para debate sobre o documentário]


As notas abaixo se destinam a consolidar algumas reflexões pessoais sobre o documentário do diplomata-cineasta Mauricio Costa, #Era dos Gigantes (122 min., 2016), sobre a política externa brasileira na era Lula, com material de imprensa, depoimentos primários dos principais atores, e comentários de analistas acadêmicos ou dos meios de comunicação, obra que retrata o confronto entre os principais personagens da política externa de Lula, seus opositores, analistas e opinião pública na era das redes sociais. Com entrevistas, pesquisa de notícias, imagens de arquivo e inserção de tweets originais, o filme, segundo seu diretor, procura responder à importante questão sobre se a política externa do presidente Lula defendia os interesses do seu partido, o PT, ou se os interesses do Brasil.
A exibição, única e exclusiva, desse documentário foi feita em duas sessões, no dia 28/10/2016, no Uniceub, pela manhã no seu campus de Taguatinga, pela noite no campus central, da Asa Norte em Brasília. As informações básicas do documentário foram disponibilizadas no seguinte link: http://www.festbrasilia.com.br/mostra/era-dos-gigantes/78. O trailer do filme pode ser visto pelos interessados no seguinte link: https://www.youtube.com/watch?v=ZCv9N49ZZNY. O próprio diretor-cineasta efetuou breve introdução ao documentário, após cuja projeção o diplomata Rômulo Neves fez seus comentários, seguidos por uma exposição livre de meus próprios comentários, tal como sumariados abaixo, abrindo-se então o debate geral com o público presente.

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1)  Enquanto produto audiovisual, trata-se de obra única e original (pelo menos até o momento) sobre a diplomacia lulopetista, a despeito do imenso volume (nem sempre de qualidade) de propaganda produzida em causa própria que o regime lulopetista fez por canais próprios, com o nosso dinheiro, ou por meio de seus múltiplos canais simpáticos, também a partir do nosso dinheiro, uma infinidade de instituições, sites, blogs e pasquins que, todos eles, se encarregaram durante quase três lustros de cantar as loas do regime lulopetista, em todas as suas vertentes.
2)  Talvez coubesse, em caráter preliminar, determinar se existe essa coisa chamada “diplomacia lulopetista”, o que é altamente duvidoso, pelo menos no estrito senso. Por um lado, porque a diplomacia, no seu sentido próprio, permaneceu a cargo do Itamaraty, pelo menos no plano prático, ao passo que a política externa do Brasil foi, sim, influenciada, em diversos pontos, pelo Partido dos Trabalhadores e seus mestres em outras partes. Por outro lado, porque não houve muita originalidade na chamada política externa lulopetista, sendo ela uma continuidade, com várias deformações, de posturas tradicionais da política externa tradicional do Brasil (ou do Itamaraty), quais sejam: prioridade à América Latina (depois à América do Sul), depois aos projetos de integração (com a Argentina, e depois quadrilateral, no Mercosul), as alianças preferenciais no âmbito do Sul (ou seja, dos países em desenvolvimento), com algumas parcerias estratégicas nesse âmbito, importância dada ao multilateralismo tanto político quanto econômico, pretensões a ocupar papel de relevo no concerto das nações e nas instâncias decisórias de poder da ordem mundial (e seus acalentados projetos de pertencimento ao inner circle dos grandes, primeiro na Liga das Nações, depois, e sempre, nas Nações Unidas), e uma série de outras posições que todas elas se conformam a uma velha obsessão nacional, desde os tempos imperiais e bastante bem expressa nas perorações de Rui Barbosa na Haia: a defesa acendrada, resoluta, da soberania nacional, onde entra também um intransigente nacionalismo, traduzido em políticas de proteção nacional, de certa recusa da penetração estrangeira em diversos setores da economia nacional (ou em todos eles), enfim, coisas bastante familiares aos diplomatas e não diplomatas. O que o PT introduziu de novo foi uma exacerbação de certos traços mais estatizantes e rusticamente nacionalistas, com um toque de esquerdismo simpático às causas socialistas, o que levou a diplomacia lulopetista a apoiar algumas das ditaduras mais execráveis na região ou alhures.
3)  Deve-se, em qualquer hipótese, reconhecer os méritos deste documentário, em suas virtudes didáticas, de assemblagem de testemunhos primários que podem, talvez, ou certamente, servir de fontes históricas. Muito do que está registrado na filmagem já está devidamente documentado, por meio de alocuções, artigos, pronunciamentos dos entrevistados, mas ainda assim o documentário é precioso por permitir conhecer, diretamente e espontaneamente, o que cada participante convidado tem a dizer – de bom, de mau ou de feio – sobre essa “diplomacia lulopetista”. E quem são esses entrevistados? Registre-se aqui certo desequilíbrio nos depoimentos, pois a maioria dos entrevistados mostra-se simpática às posições em política externa do lulopetismo diplomático: estão ali o próprio presidente Lula (mas com frases banais, óbvias, genéricas demais, embora enfatizando as grandes linhas da sua diplomacia Sul-Sul), seu chanceler pelo oito anos (embaixador Celso Amorim), o secretário-geral do Itamaraty por sete anos e grande ideólogo das principais orientações diplomáticas do regime (embaixador Samuel Pinheiro Guimarães), um jornalista totalmente adesista de Carta Capital (Mino Carta), o senador Cristovam Buarque, dois acadêmicos igualmente simpáticos à diplomacia lulopetista (Matias Spektor e Oliver Stuenkel) e um jornalista igualmente defensor das grandes linhas do regime (Sérgio Leo). Do outro lado, apenas o ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia (que criticou algumas ações do regime, mas ao final se declarou amplamente favorável ao governo Lula) e o embaixador Rubens Barbosa, conhecido crítico de toda a política externa lulopetista, embora favorável a algumas de suas iniciativas (IBAS, BRICS mais exatamente).
4)  O que disseram os entrevistados? Muita coisa, mas a destacar a frase repetida no documentário do ex-chanceler, para quem “os críticos [do lulopetismo diplomático] veem o Brasil com olhos pequenos”. A conclusão geral a ser tirada pode ser assim apresentada: os formuladores e executores da política externa lulopetista obviamente concordam com o que eles próprios fizeram à frente da diplomacia brasileira, mas o que também pode ser observado é certo tom defensivo, explicativo, justificativo dessa política, como se houvesse algum temor não explicitado abertamente, uma espécie de arrière pensée, uma percepção não reconhecida abertamente de que essa diplomacia, essa política externa podem não ter sido exatamente consensuais ou isentas de contestações, frente às quais eles se apressam então em defende-las, até preventivamente (como aliás o fizeram durante todos esses anos).
5)  A noção de diplomacia partidária, ou ideológica, veio várias vezes à baila, em função do que o ex-chanceler se encarregou de defender a ideologia do regime, um pouco nesses termos: “Mas quem não é ideológico? E a ideologia da direita, a ideologia do neoliberalismo?” Os apoiadores e opositores da diplomacia lulopetista se dedicam, nessas circunstâncias, a defender e a atacar aquela política externa, o que está bem documentado neste documentário. O seu título, entretanto, me parece um pouco enviesado: “Era dos Gigantes”? Por quê? Quais eram esses gigantes? Aqueles que figuram no livro do principal ideólogo da diplomacia lulopetista? Essa mania de grandeza pode parecer reação a algum complexo de inferioridade ou tendências megalomaníacas disfarçadas. Os companheiros, por sinal, nunca cessaram de se referir a certas frases do escritor Nelson Rodrigues, possivelmente o intelectual mais antipetista, mais antissocialista, o mais reacionário que possa ter existido no cenário político brasileiro em todos os tempos. Atração pelos contrários?
6)  Não cabe se deter agora sobre o que disseram apoiadores e opositores dessa política externa grandiosa, de gigantes, a despeito de ter feito extensas anotações – mais ou menos 20 páginas de um bloco de notas – sobre o que eles disseram, e sobre os assuntos abordados. Vou tratar de algo mais básico, tanto na historiografia política quanto no jornalismo, que é distinção tradicional, aliás fundamental, entre fatos e versões. Todos sabem que em política, muitas vezes, a versão importa mais do que os fatos.
7)  Fatos, e a sua versão, estão sempre presentes em cada etapa de nossa vidas pessoais, assim como na trajetória da história política de um país, no itinerário de uma nação. Existem, obviamente, fatos objetivos, eventos, processos, acontecimentos, que não dependem para nada de nossa vontade, de nossa opinião, de nossa condição social ou até de nossa existência, ou até da Constituição e das leis do país. Eles não pedem licença para existir. Fatos são fatos, independentemente do que pensamos a respeito deles, e se bastam a si próprios. Eles não deixam de existir mesmo que você não concorde com eles.
8)  Versões, por outro lado, são construções mentais, arbitrárias, argumentos subjetivos que criamos, mantemos e até disseminamos, a partir de uma seleção arbitrária de alguns fatos, tal como os interpretamos, mas que também podem ser versões inteiramente fabricadas à margem dos fatos, explicações peculiares, particulares, que servem à economia individual de nossa formação de conceitos. Muitas vezes eles atendem uma determinada orientação ideológica, mas não necessariamente. Versões, independentemente das justificativas sociais, filosóficas, econômicas, partidárias, que encontramos para elas, podem servir unicamente a nossos interesses individuais, mesquinhos mesmo. Geralmente elas servem para realçar uma glória maior de nossa personalidade, de nossa imagem junto à comunidade à qual elas servem.
9)  Desse ponto de vista, a versão construída pelos formuladores e executores da mais do que famosa diplomacia lulopetista – mas ela existe, realmente? – se conforma aos objetivos acima explicitados. Essa versão está razoavelmente bem registrada neste documentário, e independentemente do fato de que ela também vem expressa em inúmeros discursos, artigos, entrevistas de seus autores, a versão positiva, expressa por diferentes entrevistados, se conforma inteiramente ao espírito e às intenções dos líderes e propagandistas do partido companheiro, a quem deve servir essa versão da história (se história existe, mas cabe conceder-lhe essa realidade). A versão, tal como registrada no documentário, parece totalmente adequada aos objetivos que sempre foram os seus em todas as vertentes da vida social, política e econômica do país.
10)          E qual é essa versão? Parece até simplista resumir, mas ela é realmente muito simples. Ela é a de uma época redentora, de redescoberta ou de reinauguração do Brasil, simbolizada no famoso logo “Nunca Antes neste país...” Essa é a versão que, depois daquela outra versão mentirosa e fraudulenta sobre uma tal de “herança maldita” que os companheiros teriam recebido da administração anterior, eles tentaram consolidar na memória nacional: a de uma missão salvacionista, que teria sido empreendida pelo “filho do Brasil”, o demiurgo do renascimento nacional, o líder excepcional – e sua política externa excepcional – que levariam o Brasil a novos patamares de realizações excepcionais, em todos os setores nos quais se empenharam o engenho e a arte excepcional dos companheiros.
11)          Desse ponto de vista, a versão companheira sobre a diplomacia lulopetista parece cumprir exatamente essa função: a de exaltar e realçar as glórias excelsas da fabulosa e insuperável política externa, aquela “ativa, altiva e soberana”, que teria sido a melhor que seus ideólogos poderiam ter construído e oferecido para consumo não só de simples cidadãos, como nós, como também de acadêmicos, como nós, também. A partir dessa disseminação por uma poderosa máquina de propaganda, paga por todos nós, muitos dessa última categoria aceitam essa versão acriticamente, e passam por sua vez a retransmiti-la, por vezes até edulcorada, engrandecida, ou mesmo até de forma simplificada, como convém a seguidores e propagandistas. Mas também pode ocorrer que aqueles que eu chamo de acadêmicos gramscianos fabricam versões sofisticadas, ainda mais refinadas, aparentemente até mais credíveis nesses meios crédulos que são das faculdades de humanidades.
12)          A partir dessa visão de um regime que pretensamente os companheiros querem registrar como o mais alto ponto da História do Brasil, e o de sua política externa, pode-se pensar numa nova periodização da história pátria, uma espécie de ruptura entre um Antes e um Depois (que os companheiros prefeririam que nunca existisse). Podemos – por que não? – satisfazer-lhes esse desejo incontido, propondo uma nova cronologia, uma divisão inovadora em nossa história política, ou até nacional. Qual seria ela? Assim como na historiografia cristã, ou ocidental, costuma dividir a história do mundo em um AC e um DC, ou seja, Antes e Depois de Cristo, pode-se propor que a história do Brasil seja dividida doravante entre um AC e um DC, isto é, Antes e Depois dos Companheiros. O que fica pelo meio, para os companheiros, é considerado o nec plus ultra das políticas sociais no Brasil, sendo que o que existia antes era simples lixo neoliberal, e o que veio depois é golpe.
13)          Independentemente porém do AC-DC, vamos examinar os fatos, antes que a versão “legitimista”, propagandeada pelos próprios companheiros, seja realmente entronizada como a versão oficial da história nacional. Quem são os autores dessa versão companheira do lulopetismo diplomático? Eles estão representados, no documentário, pelo ideólogo-mor da diplomacia lulopetista, justamente, seguido pelo chanceler oficial do regime, mas infelizmente o documentário não conseguiu recolher os depoimentos dos demais chanceleres parciais ou ocasionais do regime, e ele os teve. Um deles era conhecido como o Richelieu do Planalto, o grão-vizir do regime, antes de ser defenestrado no primeiro tropeço de corrupção, o chamado Mensalão, agora gozando de uma aposentadoria muito involuntária na República de Curitiba. Havia também um outro chanceler amador, sintomaticamente apelidado por diplomatas e jornalistas de “chanceler para a América do Sul”, em razão de suas altas habilidades linguísticas, mas que era um antigo apparatchik do PT aparentemente especializado nessas coisas internacionais, mas que também era um dos animadores do Foro de São Paulo, e como tal um homem da inteira confiança dos comunistas cubanos, mestres em certas artes, que são os que de fato controlam o Foro e mais da metade dessas organizações de esquerda que pululam na América Latina.
14)          Infelizmente, esses dois últimos “chanceleres” não foram entrevistados no documentário, imagino que a despeito dos maiores esforços do seu diretor, o que é realmente uma pena, pois eles teriam muita coisa importante a esclarecer a respeito da diplomacia lulopetista, questões que não necessariamente figuram nos anais e nos registros do Itamaraty, mas que suspeito tenham sido deixadas deliberadamente à margem de telegramas e outros expedientes da Casa. Mas suspeito também que eles não se disporiam a falar sobre certas questões sensíveis, tão sensíveis, talvez, quanto algumas que estão sendo agora elucidadas pelos esquadrões de investigadores e de procuradores da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, coisas, realmente,  não imaginadas por nós, e que provavelmente nunca venham a ser esclarecidas por completo, à falta, justamente, desses registros formais nos expedientes oficiais.
15)          À falta desses depoimentos, outros servem para reforçar a versão ideal de uma história que ainda não foi escrita inteiramente, sequer começada por algum escriba oficial, ou até amador, como soe por vezes acontecer. Esses depoimentos são de alguns personagens que, na terminologia oficial do movimento socialista mundial, costumavam ser referidos como “fellow travelers”, ou “compagnons de route”, ou seja, aqueles simpáticos à causa, que mesmo não pertencendo ao partido ou a qualquer uma de suas organizações de apoio, se dispõem ainda assim a sustentar a versão desejada, e a emprestar-lhe foros de verdade, como se verdade fosse. Deveríamos chamar essas pessoas de ingênuas fundamentais? Certamente elas não são mal informadas, e até desfrutam de certo convívio com alguns dos personagens principais, os formuladores e executores da tal de diplomacia lulopetista, os inventores e propagandistas do mito da lulodiplomacia, aquela que veio depois do AC e antes do DC, e que agora foi tristemente interrompida por um “golpe”.
16)          O que farão agora essas pessoas, tanto os personagens principais quanto os secundários dessa trama situada no interstício cronológico do AC-DC? Suponho que os primeiros continuarão a propagar as boas virtudes da palavra revelada, aquela que pretendia que nunca antes neste país tínhamos tido uma política externa tão ativa, altiva e soberana quanto a que foi conduzida nestes treze anos e meio de realizações insuperáveis nos anais da história nacional. Não tenho ideia do que pode passar pela cabeça dos segundos personagens, agora que alguns detalhes sobre as tenebrosas transações que eram feitas à margem e à revelia da fabulosa política externa do lulopetismo estão sendo revelados pelas investigações paralelas do maior, do mais gigantesco, do mais fenomenal caso de corrupção nunca antes ocorrido neste país, neste hemisfério, quiçá no mundo, transações que envolveram igualmente inúmeros episódios de política externa, cenas explícitas de lulopetismo diplomático.
17)          Imagino que os mais honestos revisarão suas bem fundadas crenças nos méritos da “ativa, altiva e soberana”, a menos que pretendam insistir na versão já repisada e tantas vezes repetida da história do socialismo mundial, segundo a qual as intenções eram boas, os resultados é que deixaram a desejar. Insistir na excelência da política externa do lulopetismo, a despeito dos incidentes, depois de tudo o que se sabe sobre a natureza propriamente criminosa da organização que tomou o Brasil de assalto a partir de 2003, seria provavelmente um pequeno crime ideológico, e um erro mais do que fundamental de interpretação, uma crença ingênua na versão fabricada, e que agora começa a ser desmantelada como deve ser.
18)          Creio, finalmente, que este documentário fornece excelentes elementos factuais e interpretativos sobre toda uma época de nossa história política, de nossa política externa em particular, depoimentos úteis que permitirão, justamente, revisar essas versões fabricadas sobre o que se situou entre o AC-DC, com os olhos desta vez muito abertos, não mais pequenos, totalmente focados nos resultados, nas realidades, olhos e ouvidos agora bem distantes da retórica oficial propagandeada a grandes golpes publicitários, com muita ajuda dos acadêmicos gramscianos, durante esses treze anos e meio de grandezas mal justificadas. Apreciei o documentário pelo lado que ele talvez não tenha tido a intenção de ressaltar: como a mistificação política é capaz de inebriar mesmo espíritos dos mais atilados, gente bem informada, mas que falham em olhar a realidade como ela é, e que tomam as palavras dos que trabalham em causa própria como se verdade fossem. Desse ponto de vista, o documentário fornece importante material para uma dessas aulas de desconstrução conceitual.
Vale!

Paulo Roberto de Almeida
Rio de Janeiro, 3051: 25-26 de outubro de 2016

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Venezuela: a quadratura do circulo? Ou um cubismo dadaista boliviariano - Diego Solis (Stratfor)

Venezuela: Where Drugs and Diplomacy Meet
Analysis FEBRUARY 17, 2017 | 22:02 GMT

Venezuela's powerful politicians may temporarily overlook their differences in the face of a common threat, including a more aggressive foreign policy from Washington.

Summary
The United States seems determined to take a harder line on Venezuela. On Feb. 15, U.S. President Donald Trump called on the Venezuelan government to free Leopoldo Lopez, a Venezuelan opposition politician who has been imprisoned since February 2014. Trump held a meeting the same day with Lopez’s wife, Lilian Tintori, and U.S. Sen. Marco Rubio. Meanwhile, hints have emerged that the United States will soon move to level new sanctions against the Venezuelan government for officials’ involvement in criminal activity. But Venezuela will not accept more punitive measures against its politicians without a fight.

Analysis
The number of prominent Venezuelan figures who have been accused of unlawful acts is growing steadily larger. On Feb. 13, Washington added Vice President Tareck El Aissami to its list of alleged drug traffickers. U.S. nationals and entities subject to U.S. jurisdiction are now prohibited from doing business with El Aissami and his suspected business associate, Samark Jose Lopez Bello. El Aissami is not the first Venezuelan official to find himself on the list of "specially designated nationals" kept by the U.S. Office of Foreign Assets Control (housed in the U.S. Treasury Department), either. Former Libertador Mayor Freddy Bernal, former Interior Minister Ramon Rodriguez Chacin and former military intelligence chief Hugo Carvajal are on it as well.

Venezuela will not take kindly to new U.S. sanctions against these figures or their peers. Instead, the country's entrenched elite will probably close ranks to protect their own positions in power, especially as they scramble to address the pressing domestic challenges ahead. Venezuela's economy is on the verge of collapse, inflation is estimated to reach a whopping 400 percent this year, oil production is declining and the country is at risk of defaulting on its debt. Combined, these dangers threaten to spark massive social unrest, further destabilizing the already volatile country.

Still, the government's ability to unite in the face of new sanctions largely depends on how much pressure the United States chooses to apply. For example, new sanctions could target Venezuelan state oil and natural gas giant Petroleos de Venezuela (PDVSA), limiting the ability of U.S. companies to do business with PDVSA or its refining arm, Citgo. This, in turn, would pose an existential threat to the Venezuelan government, which relies heavily on PDVSA for its income. Should this come to pass, enough dissatisfaction may build in Venezuela to prompt Caracas to push back on Washington's demands.

Crumbling Ties
Venezuela's ideological orientation and geographic location have turned it into a nagging headache for several U.S. administrations. While in office from 1999 to 2012, Venezuelan President Hugo Chavez steadily allowed the expropriation of U.S. firms' assets, including upstream oil and natural gas infrastructure, without providing any compensation in return. To make matters worse, Venezuela has also served as a major transit state for Colombian cocaine heading to the United States.

For over a decade, some Venezuelan officials have even facilitated cocaine trafficking, a pattern that became more common after Chavez ended most of his country's counternarcotics cooperation with the United States in 2005. Now, after years in power, some of Venezuela's political elite have found themselves in a vulnerable position thanks to allegations of malfeasance that may subject them to the United States' legal jurisdiction. Under former U.S. President Barack Obama, Washington opened a number of investigations into these officials, further souring its relationship with Venezuela even as its ties with Caracas' ally, Cuba, improved. Venezuelan figures such as El Aissami and former National Assembly Speaker Diosdado Cabello came under close scrutiny for charges of cocaine trafficking, while PDVSA became the target of a money laundering investigation. The cases opened during the Obama administration could soon yield results under Trump's, and it is certainly possible that more senior Venezuelan leaders will be indicted or fall victim to sanctions in the years ahead. What is unclear, however, is whether Washington will continue to limit its sanctions to individual politicians or broaden them to target the entities responsible for criminal activity, including Venezuela's state-owned enterprises.

How Caracas Will Respond
Venezuela's embattled administration has clung to power in spite of the extreme inflation and shortages of food and medical supplies that have plagued the country for nearly four years. For the most part, the government's survival can be attributed to three things: a strong security apparatus, a divided opposition and a shared desire among many politicians to use public office for personal gain.

To be sure, the Venezuelan government — though resilient — remains divided into clear factions. But the country's powerful politicians may temporarily overlook their differences in the face of a common threat, including a more aggressive administration in the White House. Additional U.S. sanctions and other punitive measures against certain people, therefore, could actually pull Venezuela's ruling class together. On the other hand, if Washington were to slap hefty sanctions on companies that generate a sizable share of the government's cash, it would put greater strain on the Venezuelan population at large, presenting a very real threat to leaders in Caracas. The prospect of significant sanctions on PDVSA, for instance, may spur Caracas to relent in its stalemate with the opposition and agree to hold regional elections in hopes of persuading Washington not to follow through with the measures.

As it stands, political power in Venezuela is distributed among seven factions: those loyal to Venezuelan President Nicolas Maduro; the "Chavista orphans" who were loyal to Chavez but did not become fully incorporated into the Maduro government; former and current members of the armed forces in positions of power; civilian members of the United Socialist Party of Venezuela; the "February 4" faction comprising military officers who accompanied Chavez in his 1992 coup attempts; the Cuba-sponsored Francisco de Miranda Front; and unaffiliated officials who often serve as go-betweens among the groups. El Aissami, who is not linked to any faction, also seems to be trying to consolidate enough power to form a group of his own.

Of the existing factions, Maduro's followers hold the most ministries (13). Meanwhile, the military faction runs eight ministries, largely distributed among retired officers. Although Maduro's faction is one of the strongest in the government, his continued rule still depends on the acquiescence of other groups, particularly the armed forces. The president's bloc also appears to cooperate closely with the Francisco de Miranda Front, although the latter seems to have lost influence in the government since Maduro replaced Vice President Aristobulo Isturiz in January.

Despite these different alliances, all of Venezuela's political factions would probably unite against a common enemy. But their cohesion will be put to the test if the United States adopts more sweeping punitive measures or if social unrest spreads in response to rising inflation or a debt default. Should Caracas default on its debt, Venezuelan imports would fall sharply, likely causing widespread protests to erupt within months. Efforts to contain the unrest may then widen the fissures within the government, causing criticism of Maduro to mount as policymakers' options narrow.

If the United States chooses to toughen its stance against Venezuela in the months ahead, its effect on Caracas' behavior will primarily depend on the outcome of the ongoing criminal investigations and the kinds of sanctions that can be put in place against the guilty parties. The effectiveness of those sanctions, in turn, will depend on whether Venezuelan leaders band together, or whether domestic problems such as debt default and unrest conspire to pull them further apart.

--
Diego Solis
Latin America Regional Director
STRATFOR - Global Intelligence
P.O. Box 92529
Austin, Texas 78709-2529
 | www.stratfor.com

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Senado Federal: a imoralidade dos gastos indecentes

Como é possível que a sociedade brasileira conviva com tamanha indecência?
Já nem me refiro aos gastos exagerados do senador visado na matéria. É a própria existência dessa verba que é uma imoralidade sem par, e algo inaceitável para os contribuintes.
Paulo Roberto de Almeida 

Prezados Senhores

Já imaginaram o que poderíamos mudar no Brasil se 10% dos brasileiros tivessem interesse nesses assuntos chatos, conforme o abaixo colocado?

 Ricardo Bergamini

Somente os ingênuos acreditam em ajuste fiscal no poder público brasileiro

Ricardo Bergamini

Premissa Maior: 

Na história do Brasil a nação sempre foi refém dos seus servidores públicos (trabalhadores de primeira classe), com os seus direitos adquiridos intocáveis, estabilidade de emprego e licença prêmio sem critério de mérito, longas greves remuneradas, acionamento judicial sem perda de emprego, regime próprio de aposentadoria (não usam o INSS), planos de saúde (não usam o SUS), dentre muitos outros privilégios impensáveis para os trabalhadores de segunda classe (empresas privadas). Com certeza nenhum desses trabalhadores de primeira classe concedem aos seus empregados os mesmos direitos imorais.

Premissa Menor: 

O Congresso Nacional é constituído por 513 deputados federais e 81 senadores e para atenderem a esses 594 senhores, segundo o ministério do planejamento, em dezembro de 2015 existiam 24.896 servidores ativos que custaram R$ 5,4 bilhões. Considerando também os 10.360 servidores inativos que custaram R$ 3,5 bilhões o custo total com essa imoral e criminosa usina de gastos públicos foi de R$ 8,9 bilhões.

Conclusão

Transferindo essa usina de gastos públicos para 26 estados, DF e 5.570 municípios chegarão à conclusão que somente os ingênuos acreditam em ajuste fiscal no poder público brasileiro.

Senado paga R$ 270 mil para marqueteiro de senador em um ano

A contratação de empresas terceirizadas de comunicação, marketing e pesquisas resultou numa despesa de R$ 2,7 milhões aos cofres públicos apenas em 2016 – o equivalente a pagar o novo salário mínimo a 2.881 trabalhadores.

POR LUCIO BATISTA | 19/02/2017 09:09 

 

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Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

 

Senador Omar Aziz tem disponível mensalmente R$ 44.276,60 da verba indenizatória

 

Residência oficial, carro novo de luxo, motorista, plano de saúde vitalício e muito dinheiro para bancar despesas mensais “extras”. Essas não são mordomias de alguma personalidade famosa da Noruega ou Suécia. São algumas das regalias disponíveis aos senadores brasileiros e que são bancadas com a verba indenizatória.

Os senadores podem contratar até 55 assessores, inclusive profissionais de assessoria de comunicação, com salários que variam de R$ 3,4 mil R$ 32 mil. Ainda assim há senadores que optam por contratar terceirizados a peso de ouro para a realização deste trabalho, uma espécie de ponte entre o parlamentar e a mídia. Essas contratações, e mais alguns penduricalhos, resultaram numa despesa de R$ 2,7 milhões aos cofres públicos apenas em 2016, o equivalente a pagar o novo salário mínimo a 2.881 trabalhadores.

Um exemplo disso vem do gabinete do senador Omar Aziz (PSD-AM), o campeão de gastos com despesas desse tipo no ano passado e o quarto em faltas em 2016. Foram  pagos R$ 270 mil  – R$ 30 mil mensais – à microempresa Jefferson L.R. Coronel-ME, de um conhecido jornalista e marqueteiro político do Amazonas. Em seu gabinete estão registrados 37 funcionários. Durante a campanha municipal do ano passado, Coronel trabalhou também para o candidato  à Prefeitura de Manaus Silas Câmara (PRB-AM). Recebeu R$ 300 mil na campanha, como está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

 

Os valores foram pagos com dinheiro do chamado “cotão”, responsável por disponibilizar mensalmente aos parlamentares, de R$ 21 mil a R$ 44 mil, a depender do estado de origem de cada um. Para ter acesso ao dinheiro, o senador precisa apenas apresentar ao Senado a nota fiscal da despesa e assinar um termo de responsabilidade. O dinheiro é depositado em conta corrente.

Apenas em 2016, R$ 21,8 milhões foram gastos para bancar despesas extras de senadores.

Cota Zero

 

Na contramão dessa gastança, os senadores Eunício Oliveira (PMDB-CE) e Reguffe (Sem partido-DF) não se valem desse dinheiro para exercerem seus mandatos.

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"O poder legislativo não precisa custar o que ele custa hoje para o contribuinte brasileiro"

 

Com um número reduzido de funcionários lotados em seu gabinete, 12, Reguffe se diz contra a existência da verba indenizatória. Para ele “não existe  democracia, nem estado democrático de direito sem um poder legislativo forte e atuante. Mas pra ser forte e atuante, ele não precisa custar o que ele custa hoje para o contribuinte brasileiro”.

O senador é o autor do Projeto de Resolução do Senado (PRS) Nº47/2015 que prevê a extinção da verba indenizatória, fato, que segundo ele, geraria uma economia aos cofres públicos na ordem de R$ 174 milhões ao final de oito anos.

O projeto aguarda relatoria na CCJ desde outubro de 2015.

O outro lado

 

Em resposta, a assessoria do senador Omar Aziz diz que contratou a empresa de Jefferson Coronel, composta por vários profissionais, pelo sua vasta experiência na área de comunicação e por conhecer bem o estado do Amazonas.

 

Leia mais sobre o cotão

 

Ricardo Bergamini

Membro do Grupo Pensar+ www.pontocritico.com

www.ricardobergamini.com.br