O que é este blog?

Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Brazil-Cuba-EUA: crise dos misses sovieticos em 1962, Secret Brazilian Diplomacy - James Hershberg

Transmitido ao vivo em 22 de agosto de 2016
A Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG) e seu Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI) realizaram, em Brasília, em 22 de agosto, das 10h45 às 12h, no auditório Embaixador Paulo Nogueira Batista, térreo do anexo 2 do Palácio Itamaraty, palestra sobre o tema: 
 "Secret Brazilian Diplomacy, the Cuban Revolution, and the 1962 Cuban Missile Crisis: Unearthing Hidden History"
com o professor James G. Hershberg. 

James G. Hershberg é professor de História e Relações Internacionais na Universidade de George Washington e diretor emérito do Cold War International History Project, do Woodrow Wilson International Centers for Scholars.

Espanha: sua importancia para o Brasil - Seminario na Funag, 31/08, 9h30-12h00

Seminário com a participação de:
Embaixador Sérgio Eduardo Moreira Lima, presidente da Funag: Abertura
Embaixador Seixas Corrêa: Brasil-Espanha nos tempos da União Ibérica (1580-1640)
Prof. José Carlos Brandi Aleixo: Anchieta e a influência dos jesuitas na educação
Vamireh Chacon: Ortega y Gasset e o pensamento espanhol no Brasil
Embaixador da Espanha Manuel de la Camara Hermoso: Relações Brasil-Espanha: atualidade e perspectivas
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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Quem sao, e o que fazem, os internacionalistas da AL? - Arlene B. Tickner; Carolina Cepeda; José Luiz Bernal

Recomendo a leitura:

¿Quiénes son los internacionalistas en Latinoamérica?
Arlene B. Tickner; Carolina Cepeda; José Luiz Bernal
Foreign Affairs Latinoamerica, vol. 13, n. 2, abril-junio 2013, p. 42-49
https://www.academia.edu/27928791/Quienes_son_los_internacionalistas_en_Latinoamerica

www.fal.itam.mx

V Congresso Latino-americano de Historia Economica - resumo do encontro

Recebido, no boletim mais recente da ABPHE:

QUINTO CONGRESSO LATINOAMERICANO DE HISTÓRIA ECONÔMICA (CLADHE V)
O V Congresso Latino-Americano de História Econômica (CLADHE V) foi realizado na cidade de São Paulo, Brasil, entre os dias 19 e 21 de Julho de 2016. As instituições organizadoras do evento foram as associações de História Econômica da Argentina, do Brasil, do Chile, do Caribe, da Colômbia, do México, do Peru e do Uruguai, assim como da Espanha e de Portugal, como convidadas. A Associação Brasileira de Pesquisadores em História Econômica – ABPHE – e a Faculdade de Economia, da Universidade de São Paulo – FEA/USP, com sede na cidade de São Paulo, eram as instituições anfitriãs.
Seguindo a tradição dos congressos anteriores realizados desde 2007, o CLADHE V é um espaço acadêmico para debater as recentes pesquisas de história econômica da América Latina, assim como para abordar as perspectivas globais e comparativas com outras regiões. A organização do CLADHE buscou incentivar a participação conjunta de pesquisadores dos países latino-americanos e de outras partes do mundo para difundir e discutir seus trabalhos bem como estabelecer agendas de pesquisa comuns. Os idiomas oficiais do CLADHE V eram o espanhol e o português; entretanto, foram bem-vindos trabalhos e apresentações em inglês.
O evento contou com duas Conferências proferidas por Victor Bulmer-Thomas da University College London, Grã-Bretanha e de Gareth Austin de Cambridge University, Grã-Bretanha e do Graduate Institute, Genebra, Suíça, que respectivamente trataram do Imperialismo dos Estados Unidos na América Latina e da Relação do desenvolvimento econômico africano e latino-americano durante o século XX. Ainda como parte das atividades acadêmicas voltadas ao público geral, foram realizadas seis mesas redondas. A seleção dos temas das mesas buscou atender aos interesses dos participantes, abarcando períodos históricos e grandes questões temáticas da história econômica latino-americana. Para compô-las, foram convidados pesquisadores de diferentes nacionalidades, de maneira que fosse possível dar um panorama para cada tema por meio de perspectivas nacionais distintas e, quando possível, complementares. A mesa-redonda 1. Fiscalidade na Colônia contou com a presenta dos professores Angelo Carrara (UFJF, Brasil), Roberto Schmit (Universidad de Buenos Aires, AAHE, Argentina) e Ernest Sánchez Santiró (Instituto Mora, México). A mesa-redonda 2. 1ª Globalização foi composta pelos professores Sandra Kuntz (El Colegio de México, AMHE, México), Manuel Llorca (Universidad de Santiago de Chile, AChHE, Chile), Carlos Contreras Carranza (Universidad Católica de Perú, APHE, Peru) e Paulo Roberto de Almeida (Centro Universitário de Brasília, Brasil). A mesa-redonda 3 tratou do tema da Escravidão com os profesores Dale Tomich (Binghamton University, Estados Unidos), Rafael Marquese (FFLCH/USP, Brasil), Luiz Felipe Alencastro (FGV-SP, Brasil) e José Antonio Piqueras (Universitat Jaume I, Castellón, AHEC, Espanha). A mesa-redonda 4. Industrialização e desenvolvimento foi composta pelos professores Mario Rapoport (Universidad de Buenos Aires, Argentina), Reto Bertoni (Universidad de la República, AUDHE, Uruguai), Pedro Cezar Dutra Fonseca (UFRGS, Brasil) e Aurora Gómez Gavarriato (El Colegio de Mexico, México) A mesa-redonda 5 teve como temática o Pensamento Econômico Latino-Americano e foi composta pelos professores Andrés Álvarez (Universidad de los Andes, ACHE, Colômbia), Alexandre Mendes Cunha (UFMG, Brasil), Mauro Boianovsky (UNB, Brasil) e Luís Bértola (Universidad de la República, Uruguai). Finalmente, a mesa-redonda 6. Relações Brasil-África teve como expositores os professores John Schulz (BBS, Brasil), Gareth Austin (The Graduate Institute of International and Development Studies, Genebra, Suíça), José Manuel Gonçalves (UFF, Brasil) e Paris Yeros (UFABC, Brasil). Ademais, o evento teve como sessões ordinárias os 39 Simpósios Temáticos aprovados, coordenados por 2 ou 3 docentes de ao menos duas nacionalidades diferentes, e com a presença de 10 a 25 pesquisadores como apresentadores de trabalhos. Ao todo, foram 620 artigos aprovados, com mais de 700 pesquisadores entre coordenadores de Simpósios Temáticos e autores e coautores de artigos. Durante o evento circulou, contudo, cerca de 500 congressistas, especialmente dos países latino-americanos. Na quarta-feira, dia 20, foram realizados mais de 20 lançamentos de livros, divididos em 6 sessões.
Sendo assim, com três dias intensos de Simpósios Temáticos, conferências e mesas-redondas, acreditamos que o V Congresso Latino-Americano de História Econômica cumpriu de maneira extremamente satisfatória o objetivo de construir um espaço de diálogo e debate entre os pesquisadores da área na região. Ademais, com a organização do evento, a ABPHE tornou-se responsável pela organização, seguindo a tradição de que o evento deve circular entre as associações latino-americanas de história econômica. Por outro lado, a FEA/USP, sede da fundação da ABPHE, mostrou-se palco importante de realização dos eventos da área, tornando-se a sede do primeiro CLADHE no Brasil.
Assim, seguindo os exemplos dos encontros da ABPHE, que são efetivamente um dos espaços mais privilegiados no país para a disseminação do conhecimento entre historiadores econômicos brasileiros, a realização do CLADHE no Brasil foi decisivo para estreitar os laços de nossos pesquisadores com a comunidade latino-americana.

Agumas Revistas de História Econômica

América Latina en la História Econômica
Instituto Mora, México
http://alhe.mora.edu.mx/index.php/ALHE

Revista de Historia Económica – Journal of Iberian and Latin American Economic History (RHE-JILAEH)
Instituto Figuerola, Carlos III, Universidad de Madrid, España
http://journals.cambridge.org/action/displayJournal?jid=RHE

Economic History Review (EHR)
Economic History Society (United Kingdom)
http://www.ehs.org.uk/journal/index.html

História e Economia
Brazilian Business School (São Paulo, Brasil)
http://bbs.edu.br/a-bbs/revista-bbs/

Investigaciones de Historia Económica

Associação Espanhola de História Econômica
http://zl.elsevier.es/es/revista/investigaciones-historia-economica-328

Journal of Economic History (JEH)
The Economic History Association (USA)
https://eh.net/eha/publications/the-journal-of-economic-history/

Revista Tiempo y Economia (Colômbia)
Informações em: http://goo.gl/AqOSnO

Revista Uruguaya de Historia Económica (RUHE)
Associação Uruguaia de História Econômica, Uruguai
http://www.audhe.org.uy/revista/

domingo, 28 de agosto de 2016

I have a DREAM - Martin Luther King most famous speech - This Day in History (NYT)

ON THIS DAY (August 28, 1963)

In 1963, 200,000 people participated in a peaceful civil rights rally in Washington, D.C., where Dr. Martin Luther King Jr. delivered his "I Have a Dream" speech in front of the Lincoln Memorial.
http://www.nytimes.com/learning/general/onthisday/big/0828.html#article

200,000 March for Civil Rights in Orderly Washington Rally; President Sees Gain for Negro



ACTION ASKED NOW
10 Leaders of Protest Urge Laws to End Racial Inequity
By E. W. KENSWORTHY
Special to THE NEW YORK TIMES
RELATED HEADLINESPresident Meets March Leaders: Says Bipartisan Support Is Needed for Rights Bill
'I Have a Dream...': Peroration by Dr. King Sums Up a Day the Capital Will Remember
Congress Cordial but Not Swayed: Leaders of March Pay Calls of Courtesy at Capitol
Capital Is Occupied by a Gentle Army
OTHER HEADLINESU.S. Presses U.N. to Condemn Syria on Israeli Deaths: Stevenson Deplores Killing of Youths -- Thant Assures Council on Cease-Fire
Kennedy Signs Bill Averting a Rail Strike: Precedent Is Set: Arbitration Imposed by Congress -- Vote in House 286-66
U.S. Spurns Denial of Diem on Crisis: Absolves the Army Again in Vietnam Pagoda Raids and Points Toward Nhu
8 Dead in Utah Mine; Fate of 15 Unknown
Lodi Killer Slain; 2d Man Gives Up: Ex-Convict Is Shot 7 Times in a Midtown Hotel
2 Girls Murdered in E. 88th St. Flat
Washington, Aug. 28 -- More than 200,000 Americans, most of them black but many of them white, demonstrated here today for a full and speedy program of civil rights and equal job opportunities.
It was the greatest assembly for a redress of grievances that this capital has ever seen.
One hundred years and 240 days after Abraham Lincoln enjoined the emancipated slaves to "abstain from all violence" and "labor faithfully for reasonable wages," this vast throng proclaimed in march and song and through the speeches of their leaders that they were still waiting for the freedom and the jobs.
Children Clap and Sing
There was no violence to mar the demonstration. In fact, at times there was an air of hootenanny about it as groups of schoolchildren clapped hands and swung into the familiar freedom songs.
But if the crowd was good-natured, the underlying tone was one of dead seriousness. The emphasis was on "freedom" and "now." At the same time the leaders emphasized, paradoxically but realistically, that the struggle was just beginning.
On Capitol Hill, opinion was divided about the impact of the demonstration in stimulating Congressional action on civil rights legislation. But at the White House, President Kennedy declared that the cause of 20,000,000 Negroes had been advanced by the march.
The march leaders went from the shadows of the Lincoln Memorial to the White House to meet with the President for 75 minutes. Afterward, Mr. Kennedy issued a 400-word statement praising the marchers for the "deep fervor and the quiet dignity" that had characterized the demonstration.
Says Nation Can Be Proud
The nation, the President said, "can properly be proud of the demonstration that has occurred here today."
The main target of the demonstration was Congress, where committees are now considering the Administration's civil rights bill.
At the Lincoln Memorial this afternoon, some speakers, knowing little of the way of Congress, assumed that the passage of a strengthened civil rights bill had been assured by the moving events of the day.
But from statements by Congressional leaders, after they had met with the march committee this morning, this did not seem certain at all. These statements came before the demonstration.
Senator Mike Mansfield, of Montang, the Senate Democratic leader, said he could not say whether the mass protest would speed the legislation, which faces a filibuster by Southerners.
Senator Everett McKinley Dirksen of Illinois, the Republican leader, said he thought the demonstration would be neither an advantage nor a disadvantage to the prospects for the civil rights bill.
The human tide that swept over the Mall between the shrines of Washington and Lincoln fell back faster than it came on As soon as the ceremony broke up this afternoon, the exodus began. With astounding speed, the last buses and trains cleared the city by midevening.
At 9 P.M. the city was as calm as the waters of the Reflecting Pool between the two memorials.
At the Lincoln Memorial early in the afternoon, in the midst of a songfest before the addresses, Josephine Baker, the singer, who had flown from her home in Paris, said to the thousands stretching down both sides of the Reflecting Pool:
"You are on the eve of a complete victory. You can't go wrong. The world is behind you."
Miss Baker said, as if she saw a dream coming true before her eyes, that "this is the happiest day of my life."
But of all the 10 leaders of the march on Washington who followed her, only the Rev. Dr. Martin Luther King Jr., president of the Southern Christian Leadership Conference, saw that dream so hopefully.
The other leaders, except for the three clergymen among the 10, concentrated on the struggle ahead and spoke in tough, even harsh, language.
But paradoxically it was King--who had suffered perhaps most of all--who ignited the crowd with words that might have been written by the sad, brooding man enshrined within.
As he arose, a great roar welled up from the crowd. When he started to speak, a hush fell.
"Even though we face the difficulties of today and tomorrow, I still have a dream," he said.
"It is a dream that one day this nation will rise up and live out the true meaning of its creed: 'We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal.'"
Dream of Brotherhood
"I have a dream..." The vast throng listening intently to him roared.
"...that one day on the red hills of Georgia, the sons of former slaves and the sons of former slave-owners will be able to sit together at the table of brotherhood.
"I have a dream..." The crowd roared.
"...that one day even the State of Mississippi, a state sweltering with the heat of injustice, sweltering with the heat of oppression, will be transformed into an oasis of freedom and justice.
"I have a dream..." The crowd roared.
"...that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character.
"I have a dream..." The crowd roared.
"...that one day every valley shall be exalted, every hill and mountain shall be made low, the rough places will be made plain, and the crooked places will be made straight, and the glory of the Lord shall be revealed and all flesh shall see it together."
As Dr. King concluded with a quotation from a Negro hymn- "Free at last, free at last, thank God almighty"- the crowd, recognizing that he was finishing, roared once again and waved their signs and pennants.
But the civil rights leaders, who knew the strength of the forces arrayed against them from past battles, knew also that a hard struggle lay ahead. The tone of their speeches was frequently militant.
Roy Wilkins, executive secretary of the National Association for the Advancement of Colored People, made a plan that he and his colleagues thought the President's civil rights still did not go nearly far enough. He said:
"The President's proposals represent so moderate an approach that if any one is weakened or eliminated, the remainder will be little more than sugar water. Indeed, the package needs strengthening."
Harshest of all the speakers was John Lewis, chairman of the Student Nonviolent Coordinating Committee.
"My friends," he said, "Let us not forget that we are involved in a serious social revolution. But by and large American politics is dominated by politicians who build their career on immoral compromising and ally themselves with open forums of political, economic and social exploitation."
He concluded:
"They're talking about slowdown and stop. We will not stop.
"If we do not get meaningful legislation out of this Congress, the time will come when we will not confine our marching to Washington. We will march through the South, through the streets of Jackson, through the streets of Danville, through the streets of Cambridge, through the streets of Birmingham.
"But we will march with the spirit of love and the spirit of dignity that we have shown here today."
In the original text of the speech, distributed last night, Mr. Lewis said:
"We will not wait for the President, the Justice Department, nor the Congress, but we will take matters into our own hands and create a source of power, outside of any national structure, that could and would assure us a victory."
He also said in the original text that "we will march through the South, through the heart of Dixis, the way Sherman did."
It was understood that at least the last of these statements was changed as a result of a protest by the Most Rev. Patrick J. O'Boyle, Roman Catholic Archbishop of Washington, who refused to give the invocation if the offending words were spoken by Mr. Lewis.
The great day really began the night before. As a half moon rose over the lagoon by the Jefferson Memorial and the tall lighted shaft of the Washington Monument gleamed in the reflecting pool, a file of Negroes from out of town began climbing the steps of the Lincoln Memorial.
There, while the carpenters nailed the last planks on the television platforms for the next day the TV technicians called through the loudspeakers, "Final audio, one, two, three, four," a middle-aged Negro couple, the man's arm around the shoulders of his plump wife, stood and read with their lips:
"If we shall suppose that American slavery is one of the offenses which in the providence of God must needs come, but which having continued through His appointed time, He now wills to remove..."
The day dawned clear and cool. At 7 A.M. the town had a Sunday appearance, except for the shuttle buses drawn up in front of Union Station, waiting.
By 10 A. M. there were 40,000 on the slopes around the Washington Monument. An hour later the police estimated the crowd at 90,000. And still they poured in.
Because some things went wrong at the monument, everything was right. Most of the stage and screen celebrities from New York and Hollywood who were scheduled to begin entertaining the crowd at 10 did not arrive at the airport until 11:15.
As a result the whole affair at the monument grounds began to take on the spontaneity of a church picnic. Even before the entertainment was to begin, groups of high school students were singing with wonderful improvisations and hand-clapping all over the monument slope.
Civil rights demonstrators who had been released from jail in Danville, Va., were singing:
"Move on, move on. Till all the world is free."
And members of Local 144 of the Hotel and Allied Service Employes Union from New York City, an integrated local since 1950, were stomping:
"Oh, freedom, we shall not, we shall not be moved, Just like a tree that's planted by the water."
Then the pros took over, starting with the folk singers. The crowd joined in with them.
Joan Baez started things rolling with "the song" - "We Shall Overcome."
"Oh deep in my heart I do believe We shall overcome some day."
And Peter, Paul, and Mary sang "How many times must a man look up before he can see the sky."
And Odetta's great, full-throated voice carried almost to Capitol Hill: "If they ask you who you are, tell them you're a child of God."
Jackie Robinson told the crowd that "we cannot be turned back," and Norman Thomas, the venerable Socialist, said: "I'm glad I lived long enough to see this day."
The march to the Lincoln Memorial was supposed to start at 11:30, behind the leaders. But at 11:20 it set off spontaneously down Constitution Avenue behind the Kenilworth Knights, a local drum and bugle corps dazzling in yellow silk blazers, green trousers and green berets.
Apparently forgotten was the intention to make the march to the Lincoln Memorial a solemn tribute to Medgar W. Evers, N.A.A.C.P. official murdered in Jackson, Miss., last June 12, and others who had died for the cause of civil rights.
The leaders were lost, and they never did get to the head of the parade.
The leaders included also Walter P. Reuther, head of the United Automobile Workers; A. Philip Randolph, head of the American Negro Labor Council; the Rev. Dr. Eugene Carson Blake, vice chairman of the Commission on Religion and Race of the National Council of Churches; Mathew Ahmann, executive director of the National Catholic Conference for Interracial Justice; Rabbi Joachim Prinz, president of the American Jewish Congress; Whitney M. Young Jr., executive director of the National Urban League, and James Farmer, president of the Congress of Racial Equality.
All spoke at the memorial except Mr. Farmer, who is in jail in Louisiana following his arrest as a result of a civil rights demonstration. His speech was read by Floyd B. McKissick, CORE national chairman.
At the close of the ceremonies at the Lincoln Memorial, Bayard Rustin, the organizer of the march, asked Mr. Randolph, who conceived it , to lead the vast throng in a pledge.
Repeating after Mr. Randolph, the marchers pledged "complete personal commitment to the struggle for jobs and freedom for Americans" and "to carry the message of the march to my friends and neighbors back home and arouse them to an equal commitment and an equal effort."

Equivocos arabes com relacao a Israel - Fred Maroun

Equívocos Históricos dos Árabes em suas Interações com Israel
por Fred Maroun
27 de Agosto de 2016
Original em inglês: The Arabs' Historic Mistakes in Their Interactions with Israel
Tradução: Joseph Skilnik
Fonte: Gatestone Institute
https://pt.gatestoneinstitute.org/8790/arabes-israel-equivocos

Nós árabes gerimos nosso relacionamento com Israel de maneira cruel, mas o pior de tudo é a contínua situação dos palestinos. Nosso pior erro foi não ter aceito o plano de partilha das Nações Unidas de 1947.

Talvez não se deva iniciar uma guerra se não se estiver preparado para os resultados de uma possível derrota.

Os judeus não mantêm os árabes em acampamentos, nós sim.

A Jordânia integrou alguns refugiados, mas não todos. Nós poderíamos ter provado que nós árabes somos um povo maravilhoso e nobre, mas mostramos ao mundo, e continuamos mostrando, que o nosso ódio aos judeus e a nós mesmos é de longe muito maior do que qualquer conceito que implique em solidariedade árabe.

Esta é a primeira parte de um artigo dividido em duas partes. A segunda parte irá examinar as alternativas de hoje para nós árabes.

No estado atual das relações entre o mundo árabe e Israel vemos uma colcha de retalhos de hostilidades, paz tensa, cooperação limitada, tranquilidade e violência. Nós árabes gerimos nosso relacionamento com Israel de maneira cruel, mas o pior de tudo é a contínua situação dos palestinos.

Primeiro Equívoco

Nosso primeiro equívoco durou séculos, ocorrendo bem antes da declaração de independência de Israel, em maio de 1948. Consistiu em não reconhecer os judeus como iguais a nós.

Conforme documentado por um proeminente estudioso americano da história judaica no mundo muçulmano, Mark R. Cohen, naquela época "os judeus compartilhavam com os demais não muçulmanos o status de dhimmis (não muçulmanos que pagam por proteção e obedecem leis humilhantes, distintas, para serem tolerados nas regiões controladas pelos muçulmanos)... Não era permitido construir novas casas de culto e as antigas não podiam ser reformadas. Eles deviam se comportar discretamente na presença de muçulmanos. Em suas práticas litúrgicas eles tinham que honrar a supremacia do Islã. Eram obrigados a se diferenciar dos muçulmanos no tocante às roupas e tinham que se abster de usar insígnias. Eles também eram proibidos de ocupar cargos de autoridade no governo muçulmano".

Em 1º de março de 1944, enquanto os nazistas massacravam seis milhões de judeus, bem antes de Israel declarar a independência, Haj Amin al-Husseini, então o Grande Mufti de Jerusalém declarou na Rádio Berlim: "árabes, levantem-se como se fossem uno e lutem pelos seus direitos sagrados. Matem os judeus onde quer que vocês os encontrem. Isso agrada a Deus, história e religião. Isso salva suas honras, Deus está com vocês."

Se não tivéssemos cometido esse erro, talvez nos beneficiássemos de duas maneiras.

Provavelmente os judeus teriam permanecido em maior número no Oriente Médio muçulmano e teriam desenvolvido a civilização do Oriente Médio ao invés de desenvolver as civilizações dos lugares para onde fugiram, sobretudo a Europa e posteriormente os Estados Unidos.

Em segundo lugar, se os judeus se sentissem seguros e aceitos entre os árabes do Oriente Médio, talvez não tivessem sentido a necessidade de criar um estado independente, o que teria nos poupado de nossos equívocos subsequentes.

O Pior Equívoco

Nosso segundo e pior erro foi não ter aceito o plano de partilha das Nações Unidas de 1947. A Resolução 181 da ONU forneceu o fundamento legal para o estabelecimento de um estado judeu e um estado árabe, dividindo o que costumava ser o Mandato Britânico da Palestina (controlado pelos britânicos).

Conforme divulgado pela BBC, a resolução estipulava:

"Um estado judeu cobrindo 56.47% da área do Mandato Britânico da Palestina (excluindo Jerusalém), com uma população de 498.000 judeus e 325.000 árabes; um estado árabe cobrindo 43.53% do Mandato Britânico da Palestina (excluindo Jerusalém), com 807.000 habitantes árabes e 10.000 habitantes judeus; um regime de tutela internacional em Jerusalém, onde a população era formada de 100.000 judeus e 105.000 árabes."

A despeito da terra alocada ao estado judeu ter sido ligeiramente maior do que a terra alocada ao estado árabe, a maior parte da região judaica era totalmente desértica, Negev e Arava, com as terras férteis destinadas aos árabes. O plano também era vantajoso para os árabes por duas outras razões:

O estado judeu tinha apenas uma minúscula maioria de judeus, o que teria dado aos árabes praticamente a mesma influência dada aos judeus na condução do estado judeu, mas o estado árabe era quase que totalmente árabe, sem nenhum benefício político aos judeus que nele habitavam.
Cada estado proposto consistia de três áreas mais ou menos desconexas, resultando em forte interdependência geográfica entre os dois estados. Se os dois estados tivessem relações amigáveis, eles provavelmente trabalhariam em diversos aspectos como uma federação. Na federação, os árabes teriam uma maioria esmagadora.
Em vez de aceitarmos um presente de plano como este quando ainda tínhamos condições, nós árabes resolvemos que não podíamos aceitar um estado judeu e ponto final. Em maio de 1948, Azzam Pasha, secretário-geral da Liga Árabe, respondendo à proposta da nova área judaica da partilha: "esta será uma guerra de extermínio, um massacre memorável, que será lembrado como são os massacres mongóis e as Cruzadas". Iniciamos uma guerra destinada a erradicar o novo estado em sua incipiência, mas perdemos e o resultado de nosso erro foi um estado judeu muito mais forte:

A maioria judaica do estado judeu cresceu de forma dramática devido à troca de populações que se sucedeu, muitos árabes fugindo da guerra em Israel e muitos judeus fugindo de um mundo árabe hostil para se juntarem ao novo estado.
Os judeus adquiriram mais terras durante a guerra que nós iniciamos, resultando em linhas de armistício (hoje chamadas de Linha Verde ou fronteira pré-1967), que deram a Israel uma parte das terras anteriormente alocadas ao estado árabe. O estado judeu também adquiriu melhor contiguidade, ao passo que as porções árabes ficaram divididas em duas partes: (Gaza e Cisjordânia) separadas por quase 50 quilômetros.
Talvez não se deva iniciar uma guerra se não se estiver preparado para os resultados de uma possível derrota.




Em maio de 1948, Azzam Pasha (direita), secretário-geral da Liga Árabe, reagiu à proposta da nova área judaica da partilha: "esta será uma guerra de extermínio, um massacre memorável, que será lembrado como são os massacres mongóis e as Cruzadas."


Mais Guerras e Mais Equívocos

Após a Guerra de Independência (nome que os judeus deram à guerra de 1947-1948), Israel ficou, para todos os efeitos práticos, confinado às terras dentro da Linha Verde. Israel não tinha autoridade ou demanda sobre Gaza ou a Cisjordânia. Naquela época nós árabes tínhamos duas opções se quiséssemos fechar um acordo de paz com Israel:

Nós poderíamos ter incorporado Gaza ao Egito e a Cisjordânia à Jordânia, proporcionando aos palestinos cidadania em um dos dois países árabes relativamente fortes, tanto numérica quanto geograficamente mais fortes que Israel.
Poderíamos ter criado um novo estado em Gaza e na Cisjordânia.
Mas preferimos optar por continuar as hostilidades com Israel. Na primavera de 1967 formamos uma coalizão para atacar Israel. Em 20 de maio de 1967, o Ministro da Defesa da Síria Hafez Assad declarou: "chegou a hora de travarmos uma guerra de aniquilação." Em 27 de maio de 1967, o Presidente do Egito Abdul Nasser declarou: "nosso objetivo fundamental é a destruição de Israel". Em junho, em apenas seis dias Israel nos impôs a derrota que nos humilhou perante o mundo. Na guerra, perdemos muito mais território, incluindo Gaza e Cisjordânia.

Após a guerra de 1967 (guerra que os judeus chamam de Guerra dos Seis Dias), Israel nos ofereceu território em troca da paz, oferecendo-nos assim a oportunidade de nos recuperarmos do equívoco da Guerra dos Seis Dias. Respondemos com as Resoluções de Cartum,afirmando: "não à paz com Israel, não ao reconhecimento de Israel e não às negociações com Israel".

Não tendo aprendido a lição de 1967, formamos outra coligação em outubro de 1973 e tentamos de novo destruir Israel. Alcançamos algumas conquistas, mas depois a maré mudou e fomos derrotados mais uma vez. Após a terceira humilhante derrota, nossa coligação contra Israel ruiu e o Egito e a Jordânia decidiram assinar um acordo de paz com Israel.

Os outros árabes permaneceram obstinadamente contrários à existência de Israel, até mesmo a Síria que, como o Egito e a Jordânia, havia perdido território para Israel na Guerra dos Seis Dias. Hoje Israel ainda mantém esse território e não há nenhuma perspectiva real dele voltar para as mãos da Síria; recentemente o Primeiro Ministro de Israel declarou que "Israel jamais deixará as Colinas de Golã".

A Tragédia dos Palestinos

Nossos equívocos mais repreensíveis e mais trágicos se resumem na maneira que nós árabes tratamos os palestinos desde a declaração da independência de Israel.

Os judeus de Israel festejaram a vinda de refugiados judeus dos países árabes e muçulmanos para que se juntassem à comunidade israelense, independentemente do custo ou da dificuldade em integrar pessoas com backgrounds totalmente heterogêneos. Israel diligentemente integrou refugiados de terras longínquas, incluindo Etiópia, Índia, Marrocos,Brasil, Irã, Ucrânia e Rússia. Com isso eles demonstraram o poderoso vínculo que une os judeus. Ao mesmo tempo nós também tivemos a oportunidade de mostrar a ligação que une os árabes, mas em vez de darmos boas-vindas aos refugiados árabes da guerra de 1947-1948, n&oa cute;s os confinamos em campos, com rigorosas restrições na vida do dia a dia.

Conforme relatado pela Anistia Internacional, no Líbano "os palestinos continuam sofrendo discriminação e marginalização no mercado de trabalho, o que contribui para os altos índices de desemprego, baixos salários e péssimas condições de trabalho. Recentemente as autoridades libanesas suspenderam a proibição dos palestinos de trabalharem em 50 dos 70 empregos a eles vetados, os palestinos continuam a enfrentar obstáculos em achar emprego mesmo naqueles segmentos. A falta de perspectiva em encontrar emprego adequado, leva a um alto índice de abandono escolar de alunos palestinos, que também têm acesso limitado ao ensino médio público. A consequente miséria é agravada pelas restrições impos tas de acesso aos serviços sociais".

No entanto, nem o Líbano e nem Síria integraram os refugiados que haviam vivido anteriormente a poucos quilômetros de suas fronteiras e que compartilhavam praticamente as mesmas culturas, línguas e religiões. A Jordânia integrou alguns refugiados, mas não todos. Nós poderíamos ter provado que nós árabes somos um povo maravilhoso e nobre, mas mostramos ao mundo, e continuamos mostrando, que o nosso ódio aos judeus e a nós mesmos é de longe muito maior do que qualquer conceito que implique em solidariedade árabe. Vergonhosamente para nós, sete décadas após os refugiados palestinos terem fugido de Israel, seus descendentes continuam sendo considerados refugiados.

A pior parte no tocante à forma como temos tratado os refugiados palestinos é que mesmo na Cisjordânia e em Gaza, há até hoje uma distinção entre palestinos refugiados e palestinos autóctones. Naqueles territórios, segundo os levantamentos de 2010 fornecidos peloPalestinian Refugee ResearchNet da Universidade de McGill, 37% dos palestinos na Cisjordânia e em Gaza vivem em campos! Gaza tem oito campos de refugiados palestinos e a Cisjordâniadezenove. Os judeus não mantêm os &aacut e;rabes em acampamentos, nós sim. O presidente palestino Mahmood Abbas quer um estado nesses territórios, mas nem sequer temos condições de levá-lo a sério, visto que ele deixa os refugiados palestinos sob sua autoridade em campos e não os integra aos demais palestinos. O absurdo dessa situação é somente comparável à sua insensibilidade.

Em que Pé Estamos Agora

Devido aos nossos próprios equívocos, nosso relacionamento com Israel hoje é um fracasso. A única força da nossa economia é o petróleo, um recurso perecível e, com o fracking, está diminuindo de valor. Não fizemos o suficiente para nos prepararmos para o futuro quando precisaremos de criatividade e produtividade. De acordo com a Foreign Policy Magazine: "embora os governos árabes tenham reconhecido, há muito tempo, a necessidade de procurar alternativas à excessiva dependência dos hidrocarbonetos, eles tiveram pouco sucesso em colocá-las em prática. ... Até a economia dos Emirados Árabes Unidos, um dos países mais diversificados do Golfo, é extremamente dependent e das exportações de petróleo".

O Business Insider classificou Israel como o terceiro país mais inovador do mundo em 2015. Países de todo o mundo se beneficiam da criatividade de Israel, incluindo países remotamente distantes e adiantados como o Japão. Mesmo assim esnobamos Israel, força motriz de inovação e tudo isso acontece nas nossas fronteiras.

Também fracassamos em não aproveitar a genialidade militar de Israel para nos ajudar a combater novos e devastadores inimigos como o ISIS.

O pior de tudo, os palestinos, parte do nosso próprio povo, estão dispersos -- divididos, desiludidos e completamente incapazes de recuperarem o projeto nacional que nós sequestramos debaixo dos seus narizes em 1948 e que, desde então, o desfiguramos a ponto de não o reconhecermos mais.

Dizer que temos que mudar nossa abordagem em relação a Israel é uma minimização. Há mudanças fundamentais que nós mesmos devemos realizar, e temos que encontrar coragem e força moral para executá-las.

Os judeus não mantêm os árabes em acampamentos, nós sim.

Fred Maroun, árabe com viés de esquerda radicado no Canadá, autor de artigos opinativos para a New Canadian Media, entre outros veículos de mídia. De 1961 a 1984 residiu no Líbano.

Sanjay Subrahmanyan: o grande historiador do Imperio Portugues (Expresso, Portugal)


Grato a meu amigo André Eiras pelo envio desta grande, excepcional entrevista com alguém que reputo ser o maior historiador "português" da atualidade, da presença ocidental na Índia, e no Oriente em geral (e vice-versa), e fino analista dos interstícios de intercâmbios culturais (e outros) entre os grandes impérios que existiram nos últimos dez séculos (e não só os ocidentais), já que o primeiro globalizador, antes de Colombo, foi exatamente Gengis Khan, que como no caso português partiu de um pequeno povo sem recursos para fazer a história mundial.
Paulo Roberto de Almeida 

Sanjay Subrahmanyam: “O império português era um império em rede” 
Expresso, 27.08.2016


NUNO BOTELHO
Considerado um dos grandes historiadores indianos e — pasme-se — um especialista sobre a presença portuguesa na Índia, tem vários livros publicados e é um poço sem fundo a falar sobre esta matéria 

Texto

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Formou-se em Economia, mas é quando faz a tese de doutoramento que a sua vida se cruza com a dos portugueses de outrora e acaba por mergulhar na História. Como ele diz, esta ciência é uma “casa aberta”, aonde se chega por várias portas. Hoje leciona na Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), onde passa oito a nove meses por ano e ensina História em geral. Durante o resto do tempo faz cursos no Collège de France. Terminou agora um livro sobre a construção europeia na Índia, como esta é vista pelos europeus entre o século XV e XVIII, onde mais uma vez fala dos portugueses, mas também dos holandeses, franceses e ingleses. Fala português na perfeição, com um leve sotaque que ecoa do brasileiro, reminiscência do seu primeiro professor, um brasileiro da Universidade de Deli.
A sua área principal de interesse tem muito a ver com a presença dos europeus na Índia...
Mas não é a única. Isso aconteceu porque, depois de me formar e fazer o mestrado em Economia, resolvi fazer uma tese de doutoramento em História Económica, num tema que tinha a ver com o comércio no oceano Índico. Para fazer este trabalho, tive de consultar fontes europeias e outras, acabei por entrar neste campo e fui por aí fora.
Como é que um economista se torna um historiador?
É difícil de dizer. Um historiador não tem uma formação bem definida. A história é uma casa aberta, como costuma dizer-se, podemos lá chegar de vários lados, a partir da economia, da antropologia, da literatura. Eu, por acaso, vim da economia. Para criar um historiador, não é necessário ter uma formação ‘dura’, do tipo matemático.
O principal ofício de um historiador é lembrar?
Não. Para mim, não é necessariamente acreditar na memória, ao contrário, é jogar contra ela, porque muitas vezes a memória é falsa. Dizemos frequentemente que é necessário valorizar a memória, mas esse não é o trabalho de um historiador, quanto muito é o de uma comunidade ou de um qualquer grupo de pessoas. Um historiador tem de jogar contra a memória, para ver como ela foi construída, porque também este é um processo histórico.
Diz-se que a história é feita pelos vencedores, pelos que ficam.
Sim e não. Eu diria que a ideia é feita com base no que sobrevive, e não é claro que isso seja sempre controlado pelos vencedores.
Como surgiu o seu interesse pela presença portuguesa na Índia?
Não foi complicado. Quando estava a fazer a minha tese na Universidade de Deli, na Índia, comecei a trabalhar com uma série de línguas e arquivos. Passei cerca de um ano na Europa, há mais de 30 anos, em Haia, Londres, Portugal, entre outros países. O meu objetivo era escrever sobre a história económica do oceano Índico, e a minha ideia era que em todos estes arquivos haveria material para abordar esta história de outra maneira. Acabei por ter experiências diferentes nestes países e fiquei um pouco mais interessado nas fontes portuguesas por várias razões, e uma delas foi porque achei que naquela altura a historiografia portuguesa precisava de um certo tipo de intervenção. Amigos portugueses encorajaram-me a escrever um livro sobre o império português [“O Império Asiático Português, 1500-1700. Uma História Política e Económica”, 1995, Difel]. Achei que havia desenvolvimentos na historiografia portuguesa que eram completamente desconhecidos e quis também fazer um pouco o papel de intermediário entre a historiografia portuguesa e a que existe em inglês. Foi assim que acabei por me interessar mais pelos portugueses.
Achou que o mundo não conhecia essas fontes?
Um pouco por causa do Estado Novo, havia poucos estrangeiros a fazer pesquisa em Portugal, e o resultado foi que havia toda uma produção portuguesa dos anos 50 e 70 que era quase desconhecida fora de Portugal. Os outros, americanos, ingleses, franceses, não chegaram a ler esta produção, com algumas exceções, como é o caso do historiador Vitorino Magalhães Godinho, que era muito conhecido. Jaime Cortesão, António Sérgio, Duarte Leite, sim, mas estou a falar de pessoas que começaram a produzir nesses anos e em termos de documentos eram desconhecidos. Sob este aspeto, achei que era uma ocasião interessante para fazer uma síntese entre as minhas próprias pesquisas e as que tinham sido feitas por esta geração de portugueses. É um pouco a ideia do livro sobre o império português. Por outro lado, naquela altura, finais dos anos 80 e princípios dos 90, havia uma grande abertura, os historiadores portugueses eram muito abertos, convidaram-me para dar cursos, o que foi completamente fora do comum. Não era a atitude dos holandeses, por exemplo, que não gostavam de abrir as portas aos estrangeiros. Sobretudo os asiáticos — indianos e indonésios — não têm hipóteses de entrar na universidade holandesa para dar cursos e explicar qual é o seu ponto de vista sobre, por exemplo, a presença holandesa nesses territórios.
Eles controlam a História...
Sim. Em Portugal havia uma abertura que não existia na Holanda. Também passei pelos arquivos deste país, mas para eles o facto de eu estudar holandês e andar a mexer nos seus arquivos não tinha nenhum interesse. A sua atitude era sempre de autossuficiência.
Os portugueses tiveram a atitude contrária?
Sim, o que foi interessante e até sedutor.
A partir da altura em que se interessa pelo império português e até se torna um especialista na matéria, como vê a aventura portuguesa, ou seja, como é que uma nação de pouca gente e tão pobre se lança nos Descobrimentos?
Não há uma explicação simples. Mas na História há muitos casos de povos ‘atrasados’ que chegaram a criar grandes impérios. O mais conhecido é, por exemplo, o dos mongóis, que nos séculos XII-XIII, na época de Gengis Khan, criaram um que ia da China ao Mediterrâneo. Era um povo bastante pequeno, com poucos recursos e pouca sofisticação em termos de cultura de corte. Também acontece que, no jogo entre os corpos políticos mais fortes e os mais atrasados, nem sempre são os mais fortes que ganham. Foi o que aconteceu com os mongóis e, de um certo ponto de vista, com os portugueses. Há uma teoria em sociologia, chamada “A vantagem de ser atrasado”, que explica isso.


NUNO BOTELHO

Como é?
Veja-se o caso dos Estados Unidos no final do século XVIII, uma nova nação que foi criada e que não tinha vantagens em relação aos poderes europeus. Como é que, nessa altura, esta nação, que não parece a mais sofisticada nem ter os intelectuais mais brilhantes em comparação com as grandes potências da época, consegue um século depois construir um país com aquela dimensão? Porque tem uma espécie de vontade coletiva de ultrapassar os outros, que estão mais avançados.
Foi isso que aconteceu em Portugal?
É um dos aspetos a referir. No século XVI, os portugueses estão sempre a olhar para Castela. Esta rivalidade, bem como com os franceses e os italianos, de estar sempre a jogar contra estes três poderes vizinhos é fundamental. É neste contexto que se define o seu império.
Decidindo avançar para o norte de África e, a partir daí, para o resto do mundo?
O norte de África tem mais a ver com os castelhanos. Mas relativamente à rota das especiarias tem a ver com os italianos, Veneza e Génova. Naquele momento, o reino de Portugal era capaz de utilizar outros poderes, havia até muitos italianos, sobretudo florentinos, venezianos e genoveses, que trabalhavam para os portugueses.
Portugal era na época um polo de atração de conhecimento científico...
Científico, comercial e religioso. O padroado português do Oriente fazia parte da Coroa portuguesa, mas tinha, por exemplo, uma presença muito forte de italianos na Companhia de Jesus.
Pensa que a descoberta da América por Cristóvão Colombo, em 1492, precipitou a decisão da viagem de Vasco da Gama à Índia?
Pode ter acontecido o contrário: ter sido atrasada por causa de Colombo. Só depois do Tratado de Tordesilhas [1494] é que os portugueses vão recomeçar. Pode dizer-se que Colombo cria uma grande confusão ao voltar com a história estúpida de ter chegado à China. D. João II, que já estaria a preparar as coisas tendo em vista a rota da Índia, teve de parar e tratar daquele assunto e só depois reiniciar os preparativos. Há um período de dez anos que medeia entre as viagens de Bartolomeu Dias [que dobra o cabo das Tormentas, ou da Boa Esperança, em 1488] e Vasco da Gama. Provavelmente não foi por causa de Colombo que os portugueses se lançaram na viagem, teriam feito isso antes, mas a confusão criada por Colombo de ter descoberto as Índias Ocidentais deve ter atrasado um pouco o processo. É uma especulação, mas há indicações que vão nesse sentido.
O seu livro sobre Vasco da Gama [“A Carreira e a Lenda de Vasco da Gama”, 1998, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses] causou grande polémica, em parte porque foi contra o mito [Sanjay Subrahmanyam foi acusado de fazer um ‘retrato’ pouco abonatório do herói português e de ferir os sentimentos nacionalistas, por ter desmontado alguns estereótipos existentes e apesar de se ter baseado em fontes portuguesas da época]...
É um pouco isso, mas também tem a ver com a minha identidade indiana. As mesmas coisas foram mais tarde ditas por portugueses e passaram sem qualquer polémica.
E o que é que sobrou dos portugueses na Índia, onde estiveram durante quatro séculos e meio?
A grande presença é nos séculos XVI e XVII. A partir de 1700, a presença é muito limitada, há feitorias e fortalezas, os portugueses controlam essencialmente Goa, Damão e Diu e pouco mais, e sobretudo Goa. Muita gente na Índia pensa, aliás, nos portugueses relacionando-os com Goa. Mas há um impacto mais complexo e subterrâneo, uma presença mais antiga, com influência na religião, na vida quotidiana, na cozinha, em certos costumes, na vida cultural da Índia...
Como por exemplo?
Em Bengala, na costa nordeste do subcontinente indiano, uma região muito afastada de Goa, portanto, havia uma presença portuguesa importante, embora não oficial, porque os que lá estavam eram sobretudo os chamados “lançados”, os renegados, pessoas com problemas com a justiça ou que se tinham convertido ao Islão, enfim, que estavam basicamente fora do sistema português. Há hoje um debate entre os historiadores sobre uma série de coisas: por exemplo, os bengalis gostam muito de sobremesas, mas têm sobremesas que não existem em nenhuma outra parte da Índia, porque são feitas à base de leite. É muito difícil demonstrar qual é a sua origem, quando foram inventadas, mas há quem diga — e com razão — que têm influência portuguesa. Pode também falar-se de certas músicas: na Índia e no Sri Lanka, o antigo Ceilão, há um tipo de música que se chama “baila”, muito típico, e que provavelmente tem a ver com a presença portuguesa. Ora, os portugueses foram expulsos de Ceilão em 1658.
Disse que o historiador tem por vezes de ir contra a memória. Vê-se como um “desconstrutor de mitos”, que foi a acusação que lhe fizeram relativamente a Vasco da Gama? E como é que os indianos veem esta figura histórica?
Essa imagem passou pelos britânicos, que tinham uma certa visão de Vasco da Gama no século XIX. Achavam que ele tinha sido seu antecessor, que abrira o caminho depois seguido por outros, entre eles os britânicos, que chegam à Índia depois de 1600. Sob este ponto de vista, há uma linha direta entre Vasco da Gama, a descoberta da Rota do Cabo e o império britânico. Ao ensinarem aos indianos a História do mundo, os britânicos dizem que a presença europeia na Índia começa com Vasco da Gama, mas que eles — britânicos — foram os seus verdadeiros sucessores, porque fizeram um ‘melhor império’, já que não tinham o problema dos católicos. Vasco da Gama é o primeiro, mas não é capaz de construir o ‘bom império’, em suma. A elite indiana de certo modo ‘engoliu’ este discurso de que os dois homens mais importantes da História do mundo eram Vasco da Gama, de um lado, e Cristóvão Colombo, do outro.
E pelos vistos com o mesmo raciocínio...
Precisamente com a mesma sequência de raciocínio: os espanhóis foram os primeiros a chegar à América do Norte, mas não souberam construir um verdadeiro império, foi preciso chegarem os ingleses. O interessante é que na época do movimento nacionalista indiano, entre os anos 20 e 40 do século passado, que precedem a independência, há uma série de escritores que falam sobre Vasco da Gama dizendo que ele era um homem muito duro e não refinado, mas ao mesmo tempo muito importante, contestando por isso de certa maneira a tese dos britânicos. Há até um historiador indiano nacionalista que inventou a fórmula “A época de Vasco da Gama”, segundo a qual ela começou em 1498 e durou até 1950, só acabando com a independência da Índia e a criação da China comunista


NUNO BOTELHO

O que é que ele quis dizer?
Que a relação entre mar e terra passou a ser outra. Durante 450 anos é o poder marítimo que domina a relação com o poder terrestre, e isso acaba, tal como os europeus vão perder para os asiáticos, que passarão a dominar o mundo. Mas aceitam que tenha havido uma época de Vasco da Gama, em que este é que é o símbolo dos europeus. Mais do que a pessoa e o homem, foi transformado em símbolo.
De certa maneira, também é um mito para os indianos.
Totalmente. É isso que digo no último capítulo do meu livro. Nos livros da escola secundária, escritos em hindi, a representação de Vasco da Gama é a de uma espécie de super-homem.
Mas na altura não.
No século XVI tem uma imagem mais diversa e complicada. No meu livro tentei mostrar que era visto como um político, um homem que agia de modo vincadamente político. Há momentos interessantes na sua carreira, entre 1518 e 1519, quando está muito dececionado com o rei D. Manuel e ameaça passar-se ‘para o outro lado’, para Espanha, para explicar a Carlos V o que devia fazer para criar um império asiático. Nessa altura, o rei dá-lhe o título de conde da Vidigueira. Foi mais ou menos o jogo de Fernão de Magalhães, mas como este era menos importante o rei não cedeu. Já Vasco da Gama tinha um certo prestígio, e os portugueses não podiam deixar que ele se passasse para o inimigo.
O nome de Vasco da Gama engloba não só os portugueses como os europeus, fazendo por isso parte da história da Ásia. Nesse sentido, houve um império português na Ásia?
Há um debate entre historiadores que pensam que um império deve ser uma forma de controlo terrestre, e sob este ponto de vista há quem diga que o império dos portugueses era no Brasil e não na Ásia, onde não havia territórios importantes sob controlo. Eu entendo que há vários modelos de império no mundo antigo, e os portugueses têm uma visão de império que tem menos a ver com o modelo romano e mais com o fenício ou o grego. Um império disperso que não tem necessariamente um controlo administrativo importante de territórios. É um tipo de império em rede.
A “História conectada” é o seu mais recente estudo. O que é?
É uma ideia surgida no final dos anos 90, que destaca o facto de, por razões puramente acidentais, haver campos historiográficos separados. Por exemplo, há pessoas a trabalhar sobre a história dos portugueses na Índia no século XVI, em diversas faculdades, e trabalham essencialmente sobre a presença portuguesa. Ao mesmo tempo, sabemos que no interior da Índia há outras histórias, que se fazem com outras fontes, como é o caso do império mongol, onde por razões de competência linguística ou outras quase ninguém trabalha. Achei que seria interessante um outro tipo de historiografia, que faria a ligação entre estas historiografias separadas, daí o termo ‘conectada’. É um método. Como fazer para combinar estas histórias distintas e separadas? É a História conectada — tratar no mesmo momento as histórias que são separadas por razões meramente convencionais. Não tem nenhum sentido científico, só por acaso estão separadas, porque ocorreram simultaneamente.
Que tipo de objeto histórico emerge dessas conexões?
Coisas muito diferentes. Por exemplo, Garcia de Orta, que era judeu, estudou em Salamanca, foi para a Índia talvez nos anos 1530, como médico passou muito tempo nas cortes muçulmanas da Índia e finalmente escreveu “Os Colóquios”. É difícil dizer coisas concretas sobre ele, não há muita documentação, mas podemos reconstituir o contexto da vida dos sultanatos daquela época, qual era o tipo de saber. É um exercício de um certo tipo de história e ciência, que permite saber algo mais de Garcia de Orta do que a sua presença no império português. Outro exemplo: acabei de escrever um livro sobre a história da pintura, da arte, e sobre os intercâmbios entre a arte indiana e europeia. Poucos sabem que Rembrandt copiou 25 miniaturas mongóis, e penso ser interessante tentar saber porquê. Agora sabemos que o fez porque, como não podia observar diretamente o mundo antigo, uma maneira de o fazer era observar o mundo oriental. Ele achava que a linguagem do corpo que existia no Oriente, no império mongol, era semelhante e que o ajudava, por exemplo, a fazer uma pintura de Abraão.
Falando sobre os mitos: há um mito português sobre Vasco da Gama, assim como há um mito indiano. O primeiro vê-o como um grande herói, o segundo...
…Também o vê como um grande herói, embora com alguns aspetos negros. Mas é um herói, porque trouxe a Europa até à Índia e transformou a História do mundo.
Diz-se que os portugueses foram pioneiros da globalização, que conectaram o mundo. Foi assim?
É uma maneira de justificar o passado em termos do presente, quer dizer, de usar o vocabulário da moda do presente para justificar algo que aconteceu no passado. Também posso dizer que Gengis Khan foi um precursor da globalização.
Mas os portugueses, de facto, conectaram a Índia com a América.
É verdade que aquele momento é interessante em relação à época anterior. Os séculos XIV e XV representam um certo tipo de mundo em que há formas de intercâmbio muito limitadas. Tudo isso se transformou entre 1450 e 1580, e os portugueses, entre outros, desempenharam um papel. Mas não acho interessante dizer quem teve um papel maior ou menor.
Qual é a razão do declínio do império português da Índia?
Os portugueses tinham recursos limitados, preferiram concentrá-los no Atlântico, no Brasil, e não lhes era possível estenderem-se em todo o lado. Por outro lado, os holandeses não se mantiveram no Atlântico, tiveram de retirar-se do Brasil, ficaram em Curaçau e em Suriname, mas conseguiram ficar no Índico. Podemos ver isto como um jogo geopolítico entre vários impérios, alguns ficam mais poderosos em certas regiões, outros em outras. A velha história do declínio relacionado com o catolicismo não tem nada a ver com isto, é um mito criado pelos holandeses e os ingleses. Se fosse assim, porque não funcionou da mesma maneira no Brasil?
Sabemos que a viagem de Vasco da Gama foi preparada por D. João II, mas quem a concretizou foi D. Manuel. Havia, porém, uma mesma orientação, o caminho das especiarias e a cristianização...
Não era a mesma coisa. A busca dos cristãos não é o mesmo que cristianização, porque parte da ideia que eles já existiam, é o mito de Prestes João, do apóstolo São Tomé, a busca de comunidades preexistentes. Não é a missionação, que depois também se vem a verificar.
Num primeiro momento, tentam encontrar as comunidades de cristãos que eventualmente existiriam e, constatando que não existem, partem para a cristianização?
Entre os dois, recorde-se que ocorre o protestantismo. Com o Calvinismo e Lutero, nos anos 20, 30 e 40 do século XVI, os católicos perdem terreno na Europa, e a partir dos anos 40 chegam à conclusão que é preciso ir para fora e criar cristãos em outros países e continentes para recuperar o terreno perdido na Europa. Inácio de Loyola diz claramente que essa foi uma das razões para criar a Companhia de Jesus. É a partir da Contrarreforma que há a ideia de criar novas comunidades de cristãos fora da Europa, na Ásia, em África ou na América. Quando Vasco da Gama chega à Índia, ele não tem essa ideia de fazer conversões ou de criar comunidades de cristãos. Morreu em 1524, e essa ideia não era muito importante.
Ele encontra cristãos?
Sim, no sul da Índia, são comerciantes de pimenta, por exemplo. Irá relacionar-se com eles na segunda e terceira viagem.
Falando da atualidade, qual é o espaço do mundo islâmico hoje no Índico?
É um espaço importante. Há lutas de poder, mas podemos referir três aspetos. Há o poder económico dos países islâmicos, que existe sobretudo a partir dos anos 70, com a transformação do mercado do petróleo, em que a Arábia Saudita, os países do Golfo e o Irão passam a ter uma influência enorme, até no mundo não islâmico do oceano Índico, por exemplo em termos de mercado de trabalho; muita gente não muçulmana, da Índia, Filipinas e outros sítios, vai trabalhar para esses países, criando uma economia de circulação, com um impacto enorme que não se vê muito no Ocidente. Em segundo lugar, tem importância pelos investimentos que fazem nas instituições. E, finalmente, há o aspeto geopolítico. A política indiana é, por vezes, de jogar contra certos países islâmicos em favor de outros.
Até que ponto há influência muçulmana na Índia?
Há, mas nos últimos dois anos o poder central na Índia está nas mãos de um partido hinduísta, que tem uma política abertamente contra os muçulmanos. Quando preparam as eleições, falam sempre da ameaça muçulmana, num discurso do tipo de conflito de civilizações.
Como é que um historiador olha para isso?
É um discurso oportunista de jogar com o medo. É sempre útil. O caso indiano é muito particular, por causa de Caxemira, mantemos ali uma guerra contínua de baixo nível há quase 70 anos. É muito tempo. Uma fronteira aberta, com um exército de ocupação. Há dois casos no mundo, nós e os israelitas e palestinianos, em que a cronologia é quase a mesma, o problema foi criado pelos mesmos — os britânicos — e com o mesmo método, mas depois lavaram as mãos e foram-se embora.

Artigo publicado na edição do EXPRESSO de 20 agosto 2016